Trump desiludido com o general McMaster.

Trump subiu nas tamancas quando seu conselheiro-chefe de segurança nacional o desmentiu publicamente.

O presidente havia cobrado 1,1 bilhão de dólares do presidente da Coreira do Sul pela instalação do sistema anti-missil Thaad.

Depois que os coreanos protestaram furiosos, o general McMaster lhes disse que não era para valer. Os EUA iriam pagar os custos do Thaad, como está escrito num acordo entre as duas potências., com a política oficial do país.

O sub-texto era claro: “Não liguem para o que o Trump diz, ele é assim mesmo …”

O Bloomberg de 8 de maio relatou que, ao saber da intervenção de McMaster, The Donald ficou lívido. E gritou no telefone com seu conselheiro, acusando-o de solapar sua política de obrigar os aliados a pagarem as despesas dos EUA em benefício deles.

Não é de hoje que os dois andam se estranhando.

Já na posse do magnata, o general falou para se cortar do discurso a frase “terrorismo radical islamita”. Não iria pegar bem junto aos muçulmanos. Para reforçar sua posição, McMaster enviou e-mails por toda a administração, lembrando dos cortes que ele determinara.

Não adiantou.

No discurso de posse, Trump usou a frase proibida. E ainda o fez enfaticamente.

Em outra ocasião, segundo informantes anônimos do Bloomber, Trump confidenciou a um grupo de assessores que estava desiludido com seu conselheiro-mor de segurança.

Imagine que ele e Bannon, a eminência parda, pediram a McMaster que despedisse uma série de funcionários do Conselho Nacional de Segurança que vinham dos tempos de Obama. E e general disse “não”. Afirmou que contratar e demitir gente do conselho era de sua competência.

Outra fonte da irritação presidencial é o hábito do seu assessor-chefe de segurança insistir em lhe dar lições. Além de frequentemente impedi-lo de fazer perguntas.

Por essas e por outras, Trump reduziu o tempo que ele concede ao general, em suas entrevistas particulares.

E o chefe de gabinete presidencial, Reince Phebus, surfando na indignação do seu chefe, impediu a nomeação do general Ricky Wadell para  vice de McMaster . Alegou que o assessor-chefe de segurança não havia solicitado aprovação superior para sua escolha.

Esses episódios ilustram uma situação que fica cada vez mais clara: o controle da política externa americana pelos generais do Pentágono e a frágil rebeldia de Trump, diante desta diminuição da sua auto- imagem de supremo líder.

A reação de McMaster à cobrança dos sul-coreanos pode ser catalogada como insubordinação. Na melhor das hipóteses.

O ato se agrava porque o general pôs seu chefe em ridículo perante a opinião pública mundial.

Como ele não concordou com Trump, deveria, no seu papel de conselheiro do chefe, procurar convencer o presidente do erro. E, caso ele concordasse, apresentar uma ideia para que The Donald se retratasse sem ficar muito sujo.

McMaster nem cogitou disso.

Agiu como alguém consciente de que decisões sobre política externa lhe cabem.

Depois veio com uma saída, por sinal franquinha, de que jamais contestaria a liderança de Trump. Quando foi exatamente o que tinha feito.

O presidente resolveu apenas gritar com seu assessor e dar o dito por não dito. Em vez de tomar uma atitude forte.

Provavelmente porque não teve coragem para enfrentar as iras do establishment militar.

Mas, tendo um ego profundamente vaidoso, Trump não esqueceu da afrona e vem fazendo pequenos desaforos a McMaster, torcendo para que o general se demita ou dê motivos para ser defenestrado.

 

 

 

 

 

 

 

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