Surpresa no Paquistão: novo governo quer paz com talibãs.

Há já muitos anos que os talibãs paquistaneses vem lutando contra o governo.

Milhares de soldados, policiais e civis já morreram em atentados e choques militares.

Regiões inteiras vivem em contínuo sobressalto, sob ameaça de conflitos que podem explodir de uma hora para outra.

Nawaz Sharif, que será nomeado primeiro- ministro depois da vitória do seu partido nas últimas eleições, pretende acabar com essa situação.

Não através das armas, como seus antecessores tentaram sem êxito.

Num discurso na cidade de Lahore, ele falou em negociações de paz com os talibãs, pois:”Armas não são solução para todos os problemas. Por que não devemos nos sentar e dialogar?”

Há respostas pouco tranquilizadoras para esta pergunta.

Forjou-se uma inimizade mortal entre talibãs e exército nas sangrentas lutas entre eles. Será que irão se reconciliar facilmente?.

Os talibãs sempre declararam que seu objetivo é estabelecer a lei islâmica no país, exatamente como era aplicada na Idade Média e forçar o governo a romper sua aliança com os EUA.

Nada disso parece possível.

O Paquistão busca ser uma democracia moderna, cujas leis seguem os princípios do islamismo, porém, vem se adaptando aos tempos de hoje.

Quanto a afastar-se dos EUA, até que há bons motivos para isso: os drones que Obama insiste em lançar sobre os territórios tribais, matando camponeses incautos, junto com os terroristas alvejados.

No entanto, como a economia paquistanesa vai mal, precisa dos 9 bilhões de dólares já pedidos ao FBI e aos 2 bi de subvenção americana.

Portanto, como iria se virar sem a aliança com os EUA?

Mesmo que o exército aceite a paz e os talibãs moderem bastante (e põe bastante nisso) suas exigências, ainda resta uma fortíssima objeção a vencer: a Casa Branca.

Em 2009, o então governo Zardari fechou um acordo de paz com os talibãs. Funcionou muito bem. O povo paquistanês respirou aliviado.

Mas, os EUA foram contra.

Pressionaram Zardari. E ele roeu a corda, ordenou um ataque contra os pacificados talibãs.

E a guerra voltou a rugir.

Agora, a situação pode se repetir.

Fazendo as pazes com o governo de Islamabad, os talibãs paquistaneses poderão vir ajudar seus irmãos afegãos.

Será muito fácil: a maior concentração de talibãs é exatamente nas fronteiras.

Os soldados dos EUA e da OTAN se verão obrigados a enfrentar um inimigo agora reforçado, que tem ainda a opção de, quando em fuga, simplesmente atravessar a fronteira e abrigar-se nos territórios talibãs do  Paquistão.

A saída das tropas estrangeiras em 2014 ficaria possivelmente adiada.

Haveria mais combates, mais baixas, mais dinheiro gasto em armas, munições e suprimentos, pesando nos orçamentos militares e na imagem interna do presidente Obama.

Muitos, mas muito motivos para os EUA serem radicalmente contra o fim das hostilidades entre exército paquistanês e talibãs.

Na certa, Narwaz conhece todos esses obstáculos.

Mesmo assim diz que vai fumar o cachimbo da paz com seus inimigos.

Acredite se quiser.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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