Se Assad cair, Israel pode invadir a Síria.

Israel já bombardeou Damasco 3 vezes, mas informou que seu alvo não era a Síria, mas sim o Hisbolá.  Era para destruir armamentos que estariam de passagem, a caminho dos quartéis do movimento xíita. Se matou algumas dezenas de soldados sírios não teria passado de inevitáveis danos colaterais…

No entanto, se os rebeldes derrubarem o regime Assad, as coisas serão diferentes.

Nesse caso, de acordo com o general Amir Esnel, comandante da força aérea israelense, o exército de Telaviv invadiria a Síria, sem aviso prévio.

Não para tomar o país e enchê-lo de assentamentos.

O objetivo seria apenas se apossar de todos os abundantes estoques de armamentos do governo Assad para impedir que caíssem nas mãos dos jihadistas, integrantes das tropas rebeldes.

Se isso acontecer, Obama ficaria diante de uma dúvida cruel.

Aplaudir a ação do governo Netanyahu, por estar fazendo uma obra meritória, impedido o fortalecimento do Nussra e outros aliados da al-Qaeda seria uma opção.

Ganharia pontos com o povo americano que, em recente pesquisa da Fox News rejeitou a entrada dos EUA na guerra síria por 68% contra 23%.

Mas, os jihadistas, apesar do seu destaque nos combates, são minoria nas tropas rebeldes… A maior parte delas é constituída por grupos islâmicos moderados e seculares, contrários ao terrorismo e partidários da democracia.

Por solidariedade a eles, EUA apoiou ruidosamente o levante desde o primeiro dia.

Se Israel invadisse a Síria, esse pessoal não iria receber seus soldados com flores… Certamente, defenderia o território do ataque dos invasores, usando todos os seus recursos.

E aí com que cara Obama iria ficar se saísse contra eles e a favor de Israel?

E o que diria aos governos aliados de Londres e Paris, firmes e ativos lutadores em favor da causa rebelde?

Provavelmente, o presidente americano não terá de tomar uma decisão que sempre será difícil.

As forças oficiais sírias estão, pelo menos no momento, numa posição cada vez mais favorável. Com isso, os rebeldes começam a admitir a possibilidade de discutir com os adversários a formação de um governo bi- partidário de transição.

Realista, Assad não vai criar caso, apesar de estar levando vantagem na guerra.

O porta-voz do ministro das Relações Exteriores russo já comunicou que Damasco aceita um acordo de paz negociado com seus adversários.

Ainda é preciso que os rebeldes desistam de exigir a queda de Assad como pré-condição e que o presidente aceite não participar pessoalmente das negociações.

Mas é provável que esses obstáculos sejam superados.

Depois de 2 anos de morticínio, finalmente há esperanças, até concretas, de solução para esta guerra cruel e absurda.

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