Relatório do ataque químico não indica autores.

O trio EUA- Reino Unido- França não perdeu tempo em proclamar que o relatório da investigação da ONU, em Ghouta, condenava Assad.

Inequivocamente.

A embaixadora americana na ONU, Samantha Powers, adepta do “imperialismo humanista”, afirmou que a descoberta de fragmentos, indicando que os mísseis venenosos vieram do nordeste do local atacado, prova a culpa de Assad. Pois só seu exército ocupava esta região, enquanto os rebeldes estavam longe, no sudeste.

Talvez a taxativa Samantha não tenha lido ou esquecido, o texto da página 18 do relatório dos investigadores, que dizia: “O tempo necessário para realizar uma pesquisa detalhada de ambos os sítios (em Ghouta), bem como para tomar amostras, foi muito limitado. Os sitios foram muito pisados por outros indivíduos, antes e durante a investigação. Fragmentos e outras possíveis evidências foram claramente manuseados e movimentados antes da chegada do time de investigadores.”

Ora se este fato constitui uma evidência, pesaria contra os rebeldes.

Como só eles ocuparam os sítios investigados antes e durante o trabalho da comissão da ONU, poderiam “manusear e movimentar” fragmentos e evidências, à vontade. E, evidentemente, teriam todo interesse em mudá-los na direção que culpasse o governo.

Mesmo que, em um dado momento, o pessoal de Assad passasse por lá, nunca iria fazer alterações para implicar eles próprios.

A prova preferida de Hague , Ministro do Exterior inglês, e  do seu confrade, Fabius, da França, também é altamente discutível.

Eles se baseiam na parte do relatório da ONU que diz terem os investigadores encontrado, além de gás sarim, “importantes componentes químicos, como estabilizadores.”

Ora, conclui a dupla Hague-Fabius, isso demonstraria o uso de alta tecnologia, processada por tropas treinadas. Portanto, fora das possibilidades dos rebeldes, cujas técnicas para produzir mísseis adaptados seriam rudimentares por não terem gente apta a fazer um trabalho tão especializado.

Na verdade, é fato sabido que o exército anti-Assad dispõe de estoques de sarin, tanto de origem americana, israelenses e inglesa, através da Arábia Saudita, quanto trazidos da guerra da Líbia pela al-Qaeda, que integra a insurgência anti-Assad.

Conforme fontes diplomáticas e militares, citadas pela CNN online (9-12-2012), prestadores de serviços militares, contratados pelos EUA, atuariam na Síria, auxiliando os rebeldes a monitorar seus estoques de venenos químicos.

Além disso, esses profissionais estariam treinando rebeldes na Jordânia e na Turquia no controle desses estoques e no uso dos gazes.

Temos que considerar também a opinião do general libanês Hishan Jaber, observador neutro, que garante terem oficiais sírios desertores sido treinados na manipulação de armas químicas.

Apesar de todas essas considerações, não excluo a possibilidade das forças de Assad serem as responsáveis pelo ataque químico de Ghouta.

Mas, o relatório dos inspetores da ONU não prova nada contra o presidente sírio.

Anuncia-se que eles vão voltar à Síria para realizar pesquisas em mais 14 locais, onde se diz ter havido lançamento de mísseis com sarin.

Juntando as observações que irão fazer, com as do seu relatório de Ghouta, provavelmente vamos saber de quem é a culpa.

Claro, eles precisarão ser punidos.

Mas o bombardeio americano fica excluído.

Obama não falou que seu objetivo seria desencorajar Assad a fazer novos ataques químicos ?

Com a entrega prometida de todas as armas químicas sírias, isso será conseguido.

Sem mísseis, sem mortes, sem destruições.

 

 

 

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