Quem é a ameaça?

“Os americanos são constantemente ameaçados com alarmes exagerados sobre ameaças do terrorismo e da imigração, de uma Coreia do Norte nuclear, a ameaça iraniana, China, Rússia e de tipos de perigo para a ordem mundial.”

É o que afirma o jornalista John Glaser em 13 de junho, no The Philadelfia Inquirer.

Ele demonstra como essas ameaças são furadas.

Os imigrantes devem até estar reduzindo a média de crimes sofridos pelos americanos já que as chances de um cidadão ser assassinado por terroristas é uma em 6 milhões de casos. Um americano tem mais chances de ser atingido por um raio.

Quanto ao Irã, nem seu governo, nem seus cidadãos,  estiveram envolvidos em qualquer ação terrorista e seu programa nuclear poderia, no máximo, ser perigoso para Israel, jamais para os poderosos EUA, já que os líderes de Teerã nem são loucos, nem tem um míssil capaz de atravessar o mundo para alcançar a América.

Kim Jong-nu pode ser louco, mas não é estúpido ao ponto de suicidar seu país atacando os EUA.

A Rússia e a China, por mais que seus líderes queiram briga (não querem), juntas, estão muito longe de igualar as forças militares americanas.

 

Para Glaser, quem ameaça o povo é seu governo federal.

 

Vou agora me tratar de outro ângulo desta questão.

Refiro-me aos países que ameaçam outros povos.

Para o famoso cineasta Oliver Stone, são os EUA.

 

O povo do Iêmen concorda.

São bombas de precisão dos EUA usadas pelos sauditas que matam habitantes do país – até agora cerca de 10 mil –  e vem destruindo sistemas de de produção de energia, hospitais, estradas, portos, sistemas de fornecimento de água, escolas, etc  – ações que já levaram o Iêmen ao colapso.

E tendem a ser cada vez mais devastadoras, depois que Trump aumentou o suprimento de armas e munições às forças da Arábia Saudita, agora e num futuro bem próximo, com a venda de 110 bilhões de dólares em armamentos.

 

Os sírios devem também estar de acordo.

Com Trump, os EUA estão incrementando sua participação na guerra civil, bombardeando tropas aliadas do governo de Damasco e instalando bases, onde vem desembarcando tropas de terra em número crescente.

Fatos que provavelmente jogarão no lixo os acordos entre os rivais na Síria, as quais tinham começado bem, em dezembro de 2016, quando se decidiu interromper os confrontos militares entre governo e rebeldes (excluindo as milícias terroristas), primeiro passo na busca da paz.

 

Pode parecer estranho, mas os sul-coreanos, que sempre viram os EUA como seus defensores, os vêm agora como um grande perigo.
No meio da saraivada de ameaças trocadas entre os governos Kim Jong-nu e Donald Trump, o novo presidente, Moon, apareceu como uma esperança. Ele pensa  em promover conversações de paz com a Coreia do Norte, inclusive reativar o complexo industrial Kaesong, localizado na fronteira, administrado por coreanos do Sul, onde trabalhavam 8 mil coreanos do Norte.

Nada disso é aceito por Trump e seus generais que insistem nas ameaças de guerra, já que, para eles, a diplomacia tinha falhado.

Esta postura, como todos admitem, pode implicar numa guerra de verdade, causada por um incidente imprevisto.

Como disse bem o senador Graham, republicano, os EUA pouco sofrerão, mísseis comunistas não podem atingir o território yankee.

Já o povo sul-coreano, vizinho das tropas de Piongyang, será a primeira e principal vítima dos horrores de uma guerra assim deflagrada.

E Trump pouco se preocupa com os sofrimentos do seu aliado: rejeita a decisão de Moon para se cancelar o sistema de anti-mísseis americanos, instalado na região de Seul, que seria alvo obrigatório dos mísseis norte-coreanos.

 

Já o Irã, no momento, teme as ameaças do governo Trump contra o acordo nuclear, que levou anos par ser costurado com os EUA, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha, e evitou guerras no Oriente Médio.

O governo yankee fala em modificar certas clausulas, que acha favoráveis a Teerã. Seria profundamente ilegal, os países responsáveis pelo acordo (menos os EUA, é claro) protestariam.

De Trump e do general Mattis, secretário da Defesa, pode se esperar algo como a resposta do general romano Pompeu a líderes sicilianos, numa situação análogo; “Parem de falar em leis, nós portamos armas.”

A decisão de descumprir o acordo assinado por Obama, em nome dos EUA, pode conduzir a uma guerra desastrosa para o Irã e outros povos da região.

 

Por fim, o Qatar é a mais recente vítima da ameaça americana.

Graças a The Donald, que primeiro se responsabilizou pela crise, por ter estimulado a Arábia Saudita a ações anti- terroristas. Depois falou em mediar a disputa. Mais recentemente declarou apoio o brutal ultimato de Riad, assegurando que o Qatar deveria romper suas ligações com terroristas e inimigos da ordem (referia-se ao Irã).

Já pensou como devem estar se sentindo os qatarianos diante deste vai-e-vem destruidor de sua segurança?

 

 

 

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