Os egípcios correm para salvar a democracia.

Presidente com poderes minimizados.

Parlamento fechado pelo exército, que assume poderes legislativos e ameaça assumir também a feitura da Constituição.

Justiça nas mãos de gente nomeada por Mubarak.

Se ficar assim, a Primavera Árabe vai virar um inverno.

Mas há esperanças.

A comissão constituinte, nomeada pelo Parlamento quando ainda era legal, ainda funciona.

O julgamento de sua legalidade foi marcado pela Suprema Corte para setembro.

A comissão constituinte está trabalhando a toda velocidade para concluir a redação da Constituição nesse prazo.

Amrg Dag, membro da Irmandade Muçulmana e Secretário-Geral da Assembléia Constituinte,  diz que se a Constituição ficar pronta a tempo os juízes não terão condições políticas para invalidá-la.

“Havendo uma Constituição, ela dará estabilidade ao país e evitará a luta entre os poderes,” afirmou Dag.

Um tanto otimista, eu diria.

Uma Constituição realmente democrática dará poderes efetivos ao presidente, inclusive sobre as Forças Armadas.

Elas não poderão continuar como agora: um país dentro do país, elaborando seus orçamentos sem interferência do executivo e do legislativo – dirigindo empresas por todo o país, que movimentam cerca de 30% da economia.

Terão de se submeter ao poder civil.

Será que os militares egípcios acostumados aos grandes privilégios dos tempos de Sadat e Mubarak, vão ceder sem luta?

E quanto à interferência da religião na política?

Espera-se que a base aliada de Morsi, maioria na Assembléia Constituinte apóie sua proposta de um estado secular, inspirado e não baseado nos princípios da sharia, onde todas as religiões terão os mesmos direitos.

São questões muito sérias, que devem ser discutidas com cuidado e seriedade.

E rápido!

A democracia tem prazo até setembro para acontecer.

 

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