ONU investiga EUA por direitos humanos.

Depois de acusar vários países de violar direitos humanos, chegou a vez dos EUA serem acusados.

A Chefe de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay pediu uma investigação sobre os ataques de drones americanos – aviões sem piloto- no Paquistão, por terem legalidade questionável e estarem matando civis.

Por essa, Hillary Clinton não esperava.

Em uma entrevista à imprensa, em  Islamabad, Navi Pillay declarou: ”Os ataques de drones levantam sérias dúvidas de sobre sua aceitação  pela lei internacional. Eu vejo assassinatos e ferimentos infringidos a civis indiscriminadamente como violações dos direitos humanos.”

E acrescentou: “Como esses ataques são indiscriminados é muito, muito difícil avaliar o número de pessoas que já foram mortas.”

Obama nega, garantindo que os alvos dos drones são planejados cuidadosamente e toda a operação é executada com precisão cirúrgica para evitar danos colaterais. O que resultaria em perdas de civis mínimas.

Os fatos não concordam com o presidente.

Segundo estimativas, desde a posse dele os drones mataram 2 mil pessoas no Paquistão, sendo que somente 50 eram comprovadamente talibãs.

Recentemente, autoridades da Administração informaram ao New York Times que a CIA conta como sendo terroristas todos os homens de idade militar mortos pelos drones em zonas conflagradas. A menos que haja provas post-mortem explícitas de que se tratava de inocentes.

Do que se conclui que a CIA não tem meios de saber quantas de suas vítimas eram , no duro, talibãs. Ou meros e azarados camponeses paquistaneses.

Mas, nessa operação, a CIA realizava um tipo de ação particularmente condenável.

Depois de um ataque de drones, quando pessoas vinham socorrer os atingidos – que nem sempre eram talibãs- a CIA lançava um ataque também contra elas.

Por vezes mesmo, a CIA aguardava os funerais dos mortos com  drones para bombardear os acompanhantes.

O deliberado ataque de drones a socorristas e acompanhantes de funerais  foi alvo de uma investigação pelo Birô de Jornalismo Investigativo (Reino Unido) publicado pelo jornal inglês Sunday Times, em fevereiro deste ano.

Descobriu-se que entre 2009 e junho de 2011, a CIA, mais de doze vezes, atacou com drones pessoas que tentavam enterrar mortos ou socorrer feridos.

Embora os drones tenham matado talibans em quase todas as ocasiões, também civis foram mortos – muitos dos quais até identificados pelo seu nome.

Pelo menos 3 vezes, os alvos foram funerais.

Os ataques dos drones tem exercido um efeito altamente negativo para a imagem dos EUA no Paquistão e mesmo no Oriente Médio, em geral.

Autoridades americanas de alto escalão condenam seu uso cada vez mais expandido.

O general John A.Rizzo, antigo conselheiro da CIA, refere-se publicamente à ação dos drones como “assassinato”.

Robert Grenier, que dirigiu o setor de contra-terrorismo da CIA entre 2001 e 2006, também veio a público contra os drones, afirmando que eles matam um número excessivo de inocentes, provocam anti-americanismo e podem inadvertidamente estimular os terroristas a criarem refúgios mais seguros.

De fato, os drones além de matarem muita gente inocente, são comprovadamente  fatores que estimulam o ódio aos EUA.

Pesquisas mostram que o  povo os considera uma ameaça ao país muito pior do que os talibãs. O placar é 69% contra 11%.

Muito desse sentimento pode ser atribuído aos drones, reprovados por 67% da população, contra apenas 11% de aprovação.

Presidente, ministros, generais, deputados, a população inteira do Paquistão protesta contra os drones, exige o fim dos seus vôos sinistros.

O governo que  tacitamente  os permitia,  acabou,  ainda que muito constrangido, encampando os protestos da população.

Seu Primeiro-Ministro pediu, mais de uma vez, que Obama acabasse com o problema. Os militares e os políticos estavam revoltados com esse negócio dos EUA estarem bombardeando um país aliado e assim violando sua soberania.

Manifestações populares protestando contra as mortes de civis sacudiam o país, alimentadas pela oposição.

E, afinal, isso é muito sério, não esqueçamos que as eleições vem aí…

Obama ouviu atentamente e respondeu que nada feito.

Ele não iria abandonar uma arma tão espetacular que permitia aos seus militares matarem inimigos a dezenas de milhares de quilômetros de distância, sem arriscarem a pele ou sequer suarem a camisa.

Claro que o Paquistão poderia simplesmente exigir o fim dos drones.

Ameaçar derrubá-los, declarar o embaixador americano personna non grata, até romper relações. Estava no seu direito.

Mas, cadê a coragem?

De outro lado, as coisas não poderiam continuar assim, o governo poderia ficar desmoralizado…

Então, o Primeiro-Ministro fez o mais fácil: reclamou com a ONU.

Por enquanto, está dando certo.

Navi Pillay, a Chefe de Direitos Humanos da ONU, informou a Gilani que ele deveria convidar um Relator Especial das Nações Unidas sobre Execuções Sumárias ou Arbitrárias para investigar a questão dos drones.

Ele topou, claro.

Será uma ótima ocasião para a ONU mostrar sua independência diante dos EUA.

Sim, porque nenhum jurista sério admite que os drones não sejam legalmente condenáveis.

Os americanos terão de ser intimados a parar de usá-los.

O que será também uma excelente oportunidade para Obama demonstrar seu respeito às leis internacionais.

 

1 pensou em “ONU investiga EUA por direitos humanos.

  1. O Sr. Obama recebeu o premio Nobel da paz recentemente. Ou os suecos estao mal da cabeça ou o senhor em questao é muito esperto e soube engana-los muito bem……..

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