O Egito começa a abrir os olhos.

O golpe militar egípcio contou com o apoio de multidões.

A maioria da população via em ações autoritárias do presidente Morsi evidências de que a Irmandade Muçulmana pretendia impor um regime islâmico.

Era tal o ódio contra a Irmandade que, a princípio, houve uma tolerância contra as ações brutais das forças militares.

A maioria fazia de conta que não viam massacres de mais de mil manifestantes pacíficos e prisões de centenas de membros da Irmandade Muçulmana.

Mas os setores esclarecidos começaram a abrir os olhos diante da série de ações brutais e de leis que lembravam os tempos do ditador Mubarak.

Sucederam-se os protestos de ativistas, antes solidários com o golpe militar, sempre duramente reprimidos.

Longe de admitir seus excessos, o governo preferiu editar uma lei que virtualmente impede manifestações e reuniões públicas críticas. Quem não obedecer estará sujeito a penas de até 7 anos de prisão.

Sem que fosse conseguido calar as vozes discordantes, a repressão cresceu.

Mais recentemente, alguns fatos causaram escândalo: a prisão de Ahmed Maher, líder do Movimento 6 de abril, que deflagrou a revolução contra Mubarak, e Abdo Al-Fataah ativista perseguido nos dois últimos governos; a condenação a 11 anos de prisão de um grupo de mulheres, entre as quais uma de 15 anos, acusadas de distribuir volantes pró-Morsi; a detenção de importantes líderes feministas, soltas à noite numa estrada em pleno deserto.

A revelação de práticas típicas do odiado regime do ditador Mubarak fez baixar o prestígio dos militares que detém o poder.

Segundo pesquisa Zogby da semana passada, 51% da população considera um erro a deposição do presidente Morsi, superando os 46% dos ainda favoráveis.

Enquanto que para 46% a situação do país piorou depois do golpe militar, apenas 35% dizem que melhorou.

O líder do golpe, o general Sissi, fortalecido por intensa propaganda ainda tem 46% de apoiadores, empatado (na margem de erro)com o deposto e tão criticado Morsi, que tem 44%.

Estes números indicam que o povo egípcio começa a se arrepender.

Para seus líderes, é proibido proibir a praça Tahir.

 

 

 

 

 

 

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