Novo Egito: satélite ou independente?

Diante da Primavera Árabe no Egito, Obama defendeu o regime enquanto deu.

No começo, sustentou Mubarak. Quando viu que o ditador não tinha salvação, tentou emplacar seu aliado, General Suleiman. Mas o povo não aceitou esse ex-chefe do brutal serviço secreto egípcio, amigo de Israel e da CIA. E Obama não insistiu.

Através de Hillary Clinton, fez um acompanhamento da evolução política egípcia, fazendo declarações anódinas aqui e ali.

Mas, com a eleição de Morsi, o candidato da Irmandade Muçulmana, Obama tomou uma inteligente e até mesmo corajosa posição.

Apoiou o governo civil, insistindo no respeito a suas prerrogativas, mesmo no momento em que Morsi começava uma disputa com os militares.

E o governo americano foi adiante: Hillary Clinton veio ao Egito, não só para reafirmar a posição pró- Morsi, mas também para tentar manter de pé a velha amizade deles com os EUA.

Aí, não deu certo.

Com o fortalecimento do poder civil, que se dará com uma nova Constituição e um novo Parlamento,  os militares perderiam mais do que sua participação total (ou mesmo parcial) no poder.

Graças a concessões de Mubarak e de Sadat, o presidente anterior, eles entraram em grande número de empresas dos mais variados setores,  concorrendo em situações vantajosas com as empresas privadas. Isso porque contam com a mão de obra sem custos dos recrutas e com vantagens nos impostos e subsídios.

Os militares egípcios não querem perder tudo isso. Seu chefe, o Marechal Tantawi, após conferenciar com Hillary, declarou que os militares não deixariam que um só partido (no caso o partido da Irmandade Muçulmana e do Presidente Morsi) dominasse a política do país.

Tudo indica que nessa briga os EUA ficarão do lado do poder civil.

Por sua vez, Morsi precisa estar em bons termos com os americanos,  pois precisa de apoio econômico. A situação no seu país, que já ia mal com Mubarak, piorou mais em 2011, com os conflitos políticos e as incertezas geradas nos investidores.

Morsi já demonstrou boa vontade para com a Casa Branca ao declarar que respeitaria os acordos internacionais (inclusive com Israel).

Aos EUA, também interessa uma aproximação com o Egito dada a posição de destaque que ele ocupa no mundo árabe.

Resta saber até onde irá essa amizade virtual.

Ela se definirá quando Morsi for chamado a tomar posição diante do Irã e da questão de Gaza, cuja abertura da fronteira com o Egito é exigida pelos árabes  e inaceitável para Israel.

Só aí saberemos se o Egito voltou a ser a um satélite dos EUA ou tornou-se um país independente da Casa Branca, embora não hostil.

Se a segunda hipótese prevalecer, os EUA continuarão a apoiar a democracia egípcia?

 

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