Nem explicações, nem desculpas, nem mudanças.

No caso da espionagem eletrônica e telefônica dos EUA no Brasil, a presidente Dilma protestou, exigindo de Obama explicações, desculpas e promessas de acabar com isso.

As desculpas não foram e nem serão apresentadas, segundo declarações atribuídas ao nosso ministro do Exterior.

As explicações até agora prestadas foram irrelevantes. Autoridades americanas se limitaram a dizer que as ações de espionagem no Brasil estavam de acordo com as leis americanas.

Quanto a disposição de mudar o sistema de vigilância americana, protegendo o Brasil de futuras bisbilhotices externas, nada.

Obama limitou-se a lamentar o arrufo entre os dois países amigos.

Na verdade, ele continua empenhado em potencializar a ação da sua agência central de vigilância, a NSA.

Relata o Der Spiegel  que os técnicos da NSA conseguiram descodificar os vídeos de tele- conferências da ONU. Esta conquista possibilitará “um dramático avanço na qualidade das informações dos vídeos de teleconferências e na capacidade de descodificar o tráfego de vídeos de teleconferências,” segundo agentes da NSA, citados na matéria do Der Spiegel.                          

No Congresso americano, aumentam as vozes que reclamam alterações profundas  na legislação de vigilância, visando reduzir os poderes da NSA.

Pressionado, o governo Obama admitiu mudanças, mas apenas quanto a questões de transparência.

Projeto da senadora democrata Dianne Fenstein, que fala pelo governo, admite algumas leves concessões, mas preserva o sistema atual de coleta e armazenamento de registros telefônicos dos americanos.

Quanto à espionagem eletrônica no exterior, que é o que interessa ao Brasil, nem mesmo os defensores no Congresso da privacidade nas comunicações tocam no assunto.

Diante da falta de explicações, desculpas e intenções em mudar da parte dos EUA, Dilma deveria cancelar – não adiar – a visita programada a Obama.

Pelo menos é o que se espera da presidente de um país soberano.

 

 

 

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