Mortes na Copa.

Até agora morreram 7 trabalhadores nas obras da Copa do Mundo do Brasil.

Parece muito.

Mas na Copa do Qatar, que será em 2022, as vítimas fatais já são cerca de 400, somente entre os trabalhadores nepaleses.

Além disso, dados oficiais da embaixada da Índia em Doha, capital do Qatar, registram a morte de 500 trabalhadores indianos desde janeiro de 2012.

Este número chega a 727 ,  quando se conta o total de mortos a partir de dezembro de 2010.

Não existem dados a respeito dos trabalhadores vindos do Sri Lanka, Bangladesh, Filipinas e Egito atraídos pelos salários pagos pelos empreiteiros catarianos.

Concluo esta triste estatística com a previsão da Confederação das Uniões de Trabalhadores Internacionais de que cerca de 4.000 trabalhadores estrangeiros morrerão nas obras da Copa do Qatar, em 2022, caso profundas reformas não forem feitas  para melhorar suas condições de trabalho.

E como são essas condições atualmente?

Reportagem do The Guardian, publicado em setembro de 2013, as revelam.

As condições de higiene são péssimas.

Muitos trabalhadores migrantes vivem abarrotados em estreitos barracões, sem ar condicionado (no Qatar as temperaturas são altíssimas), alagados por esgotos.

Em muitos acampamentos não há luz elétrica, nem água corrente.

Alguns nepaleses revelaram ao The Guardian que deixaram de receber salários durante meses, obrigando-os a mendigar para poderem comprar alimentos.

Jornadas de trabalho de 12 horas não são raras.

A segurança também é precária, em grande número de obras os trabalhadores sequer recebem capacetes.

Uma autoridade do principal hospital de Doha informou que mais de 1.000 pessoas foram admitidas à unidade de traumas por quedas de elevadas alturas durante o trabalho.

Políticos e organizações de direitos humanos protestaram, afirmando que a FIFA não poderia fechar os olhos diante desta situação.

E exigiram imediatas providências das autoridades do Qatar.

Os organizadores locais da Copa prometeram agir.

Depois de alguns meses, afirmaram que o governo de Doha publicara um documento, contendo todas as obrigações que os empresários das obras deveriam cumprir para com seus contratados.

E o ministro das Relações Exteriores declarou que o governo está fiscalizando sua observância, tendo já punido cerca de 2.300 companhias.

Mas as organizações de direitos humanos e associações trabalhistas continuam preocupadas.

Duvidam que haja uma melhoria efetiva das condições de trabalho dos trabalhadores estrangeiros, enquanto não for abolida a Kafala.

Trata-se de um sistema tradicional no Qatar, em que todos os trabalhadores migrantes são obrigados a ter um patrocinador, responsável pelo seu visto de entrada e seu status legal.

Em geral, é o empresário que os contratou para vir trabalhar no país.

O trabalhador migrado fica submetido ao patrão, que retém seu passaporte e só lhe entrega quando bem entender.

Sem a autorização do patrocinador, o trabalhador não pode mudar de emprego, viajar, abrir uma conta bancária ou alugar uma casa ou quarto.

Com isso, torna-se um verdadeiro escravo, sujeito à exploração por empregadores sem escrúpulos.

Eles rotineiramente confiscam os passaportes dos migrantes e se recusam a lhes fornecer seus documentos de identidade, reduzindo-os efetivamente à condição de estrangeiros ilegais.

O Qatar tem abundantes reservas de petróleo – é um país muito rico, com a mais alta renda per capita do mundo.

Está construindo estádios maravilhosos, que terão a mais avançada estrutura tecnológica.

Oferecerá ao mundo uma Copa gloriosa.

Mas, o sacrifício das vidas dos pobres trabalhadores nepaleses, indianos, filipinos, egípcios tem de parar.

Que o governo do Qatar atue e a FIFA fiscalize, para que não haja mais perdas de vidas entre eles.

É possível.

Nem um único trabalhador morreu, construindo as instalações dos Jogos Olímpicos de Londres.

 

 

 

 

1 pensou em “Mortes na Copa.

  1. Duvida: Qual è a situaçao no Brasil quanto aos preparativos da Copa 2014?
    Houve mortes entre os trabalhadores? A Fifa esta sempre criticando os estadios e outras estruturas. Tem dito algo em relaçao à situaçao das
    pessoas envolvidas ?

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