Mentirosos demais

Nada mais oportuna do que as apreciações que Sarkosy e Obama fizeram de Netanyahu serem reveladas ao público por um microfone indiscreto.

Todo o mundo ficou sabendo que o francês e o americano consideram o premier israelense um contumaz mentiroso.
Aliás, recentemente, havia vazado para o New York Times que Obama informara a seus assessores não acreditar que Netanyahu alguma vez estivera disposto a cumprir seus compromissos de levar paz à Palestina.
Angela Merkel juntou-se a esse coro. Segundo o jornal israelense Haaretz, numa conversa telefônica, a primeira ministra alemã pregara na cara de Bibi: ”Você nos desapontou. Você não deu um simples passo em direção à paz.”
Portanto, ficou urbi et orbi proclamado: os líderes dos EUA, da França e da Alemanha acham que o primeiro-ministro de Israel é um rematado mentiroso. Não está nem um pouco interessado em fazer as pazes com os palestinos. Não cumpriu nada do que prometeu fazer por esta causa.
E aí vem uma pergunta.
Se os três grandes chefes de estado democráticos não acreditam que Bibi quer paz na Palestina, então por que defenderam as negociações diretas
dele com os palestinos, como o modo certo para se chegar à paz?
Por que Sarkosy propôs um prazo de um ano de negociações entre Netanyahu e os palestinos antes da independência, se ele sabia que não se podia confiar em que Bibi visasse a paz?
Por que Obama ameaçou vetar a proposta palestina de independência, afirmando que ela só aconteceria através de negociações bilaterais, se sabia que Netanyahu não queria isso de jeito nenhum?
Por que Merkel se disse partidária da independência da Palestina, mas exigiu antes negociações com Netanyahu, sabendo que ele não daria um simples passo nessa direção?
Não é preciso pensar muito para perceber que eles mentiram.
São tão mentirosos quanto Netanyahu.
Talvez mais.
Netanyahu, ao menos, mente para conseguir o que ele acha bom para seu povo.
Obama para manter os votos e o financiamento dos judeus americanos, o apoio dos congressistas democratas – eleitos com dinheiro da AIPAC (lobby judaico-americano) – e o favor da grande imprensa dos EUA. Em proveito dele.
Sarkosy por que não ousa desagradar o Presidente americano, de quem tem sido um aliado servil.
Merkel, por que ainda não se livrou do sentimento de culpa da nação alemã em relação ao povo judeu.
São mentirosos demais, importantes demais, fortes demais para o povo palestino, que conta apenas com o apoio da opinião pública mundial.
Por enquanto, não é muito.
Até quando?

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