Israel: atirar pedra é crime.

O gabinete de segurança de Israel decretou que o ato de atirar pedras contra autoridades civis ou militares será punível com um mínimo de quatro anos de prisão.

A pena máxima já havia sido estabelecida por lei em 20 anos.

Isso significa, por exemplo, que durante uma manifestação de protestos, os meninos palestinos que costumam reagir com pedras aos tiros (com munição real ou não) e bombas de gás dos militares israelenses podem ser detidos, julgados e condenados a penas variáveis de prisão.

Somente por terem atirado pedras, tendo ou não acertado.

A razão detonadora desta dura medida do governo de Israel foi a morte de um motorista judeu israelense, atingido por uma pedra lançada contra seu carro por palestinos.

Ao que me parece, o crime aqui foi de assassinato, não de lançamento da pedra.

É ilógico.

Se a vítima tivesse sido alvejada por um tiro, o criminoso seria julgado por ter matado, não por ter disparado.

Na verdade, o que o Estado de Israel visa, ao criminalizar as pedras, foi deixar os cidadãos palestinos sem quaisquer meios de combater as violências do exército e da polícia de Israel.

O Legislativo israelense fez um trabalho repressivo completo.

No caso dos atiradores de pedras serem menores de idade, suas famílias serão multadas e perderão seus direitos ao auxílio -desemprego, pensões e indenização por razões de saúde.

Guardadas as devidas proporções, os nazistas faziam algo semelhante para enfrentar os movimentos de resistência. Cada vez que um militar alemão era morto, executava-se uns 50 civis inocentes.

Mas, o feitiço pode se virar contra o feiticeiro.

Como leis tem de ser iguais para todos, estas serão presumivelmente aplicáveis tanto para árabes quanto para judeus.

E não é somente palestinos revoltados que costumam se manifestam atirando pedras.

Judeus também. Como aqueles de Jerusalém Oriental que diversas vezes apedrejaram os palestinos do vizinho campo de refugiados de Shauat. Ou os habitantes dos assentamentos que apedrejaram enviados americanos para investigar destruições de oliveiras de palestinos.

Há outros casos de ações assim que nada tem a ver com disputas entre judeus e árabes.

Multidões de judeus ultra-ortodoxos jogaram pedras em manifestações de protesto contra recrutamento de jovens dessas crenças. O mesmo aconteceu com mulheres apedrejadas em bairros majoritariamente ortodoxos por estarem “impropriamente vestidas.”

E então? Será aqui também aplicada a nova lei?

A esse respeito, Itamar Eichler, deputado do ultra-ortodoxo partido Torah Unido, fez uma distinção entre os atiradores de pedras: há os que agem assim como “expressão emocional de sofrimento” e os que visam matar, ferir, atingir de qualquer forma soldados ou policiais.

Itamar apressou-se a explicar que não estava pretendendo tratamento diferenciado para árabes e judeus.

Isso seria apartheid…

 

 

 

 

 

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