Islamofobia na polícia inglesa.

Dados revelados pelo Home Office da Inglaterra e País de Gales revelou que a grande maioria dos presos por terrorismo nos últimos 15 anos foram absolvidos pela Justiça ou liberados sem acusação formal (The Guardian, 15 de dezembro).

São números chocantes.

Desde 2 de setembro de 2001, data do atentado às Torres Gêmeas, cerca de duas entre 10 pessoas detidas e indiciadas pela polícia inglesa como culpados da prática de ações terroristas ou de algum crime relacionado ao terrorismo, eram inocentes.

Em outras palavras: cerca de 80% dos 3.349 homens e mulheres que foram levados à força para quarteis policiais, onde sofreram inquéritos humilhantes (como é de regra) e talvez violências, foram encarcerados durante dias ou até meses, tratados, enfim, como perigosos terroristas, não tinham culpa alguma.

A grande maioria desses cidadãos eram ingleses muçulmanos, de origem árabe, indiana, paquistanesa ou africana.

A revelação, por uma entidade oficial, de números tão escandalosos provocou críticas duras no Reino Unido. Sentiu-se que havia algo de podre no reino de Sua Majestade.

Para alguns analistas, devia-se a um certo viés anti- muçulmano na orientação das organizações policiais inglesas para caracterizar os terroristas.

O liberal-democrata Lord Paddick, presidente do Comitê de Assuntos Domésticos na Câmara dos Lordes e antigo comissário assistente da Scotland Yard, culpou a pouca eficiência policial: “A Polícia deve ser responsabilizada por estas cifras. É extremamente preocupante que exista uma diferença tão grande entre o total de detidos e o os efetivamente condenados. ”

O que, segundo demonstrava a ineficiência dos agentes da lei.

Acredito que seja tudo isso e mais uma coisa: a islamofobia dos policiais, sua tendência em ver em qualquer muçulmano um terrorista em potencial, que merece ser vigiado, preso para interrogatórios ou, se preciso, alvo de uma ação até letal como a que assassinou o brasileiro Jean Charles, em Londres, por engano.

Lord Paddick fez outro comentário sobre o problema do terrorismo.

Ele acha que o importante para reduzir essa praga é a Polícia construir confiança nas comunidades de origem dos terroristas.

Infelizmente, concluiu, estatísticas assim irão solapar a confiança nas comunidades onde ela existe.

 

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