Irã não está tão isolado assim

Numa da suas últimas falas, Barack Obama proclamou que um dos principais feitos das sanções americanos foi isolar o Irã no mundo.                                                                       Foi um tanto exagerado.

A China e a Rússia condenaram as últimas sanções dos EUA, que visam boicotar o petróleo iraniano, afirmando que continuarão normalmente a manter relações diplomáticas e comerciais com Teerã. São aliados de peso, que prometem vetar novas sanções pelo Conselho de Segurança da ONU.

A Turquia foi mais além. Não só rejeitará o diktat americano, como também pretende ampliar seu comércio com o Irã de 15 bilhões de dólares, em 2011, para 30 bilhões, em 2015.

O Iraque é outro aliado certo, assim como grande parte dos demais povos árabes. As relações entre Índia e Irã também não sofrerão solução de continuidade.

Na América Latina, Venezuela, Bolívia, Cuba e Equador confirmaram seu apoio ao regime dos aiatolás. As relações com a Argentina caminham para a normalidade.

A amizade com o Brasil segue inalterada. Recentemente,Antônio Salgado, embaixador brasileiro em Teerã, advertiu contra a demonização do Irã, em debate com o chanceler da Inglaterra, William Hague. Afirmou a posição brasileira contra as novas sanções. E quando Hague defendeu a periculosidade iraniana, lembrando que Ahmadinejad prometeu varrer Israel do mapa, Salgado respondeu que a expressão era metafórica. O presidente iraniano queria dizer que a História se encarregaria de acabar com o regime sionista. Na verdade, em mais de uma vez, Ahmadinejad reafirmou que o Irã não pretende atacar Israel.

Na Europa, Itália, Espanha e Grécia, resistindo à pressão dos EUA e do Reino Unido, procuram adiar ao máximo sua inclusão entre as nações que aderiram ao boicote.

Na África, não se espera que a União Sul Africana aceite as novas sanções.

Evidentemente, o poder de pressão dos EUA e da Comunidade Europeia é muito grande. E o Irã poderá acabar sofrendo, com uma redução de suas exportações de petróleo, possivelmente, significativa.

No entanto, como só se espera que as sanções comecem a ser aplicadas daqui há 6 meses, muita água ainda está para rolar. Especialistas no mercado de petróleo tem advertido que o embargo do produto iraniano poderá provocar problemas devastadores; grandes aumentos de preços, que levarão as várias nações em crise a situações particularmente dramáticas.

 

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