Guerra suja bombando

Philip Giraldi foi analista e especialista em contra terrorismo da CIA. Hoje, jornalista e escritor, ele costuma ser bem informado sobre o Oriente Médio, pois mantém bons contactos com seus antigos colegas.

No site Anti-War, de 8 de novembro, Giraldi escreve que, em  2003, o Presidente Bush autorizou  o desenvolvimento, em conjunto com israelenses, de um vírus capaz de danificar a rede de informática do Irã, bem como ataques contra cientistas e instalações nucleares do país.
No ano passado, os técnicos dos EUA e de Israel puseram em ação o super vírus Stuxnet –considerado a mais sofisticada arma cibernética jamais usada contra outro país- que provocou danos responsáveis pelo atraso de 1 a 2 anos no programa nuclear iraniano.
Há rumores de que Israel e EUA estão concluindo o Stuxnet2, ainda mais avançado e eficiente. Mas os iranianos aprenderam muito, quando analisaram e neutralizaram o Stuxnet1. Resta saber se estarão preparados para enfrentar o novo super vírus.
Como vem acontecendo, as principais iniciativas agressivas do ex-presidente são multiplicadas pelo atual (aumentou o exército no Afeganistão e os ataques com drones, aprovou a lista da CIA de assassinatos de terroristas). Nos últimos anos, três cientistas nucleares do Irã sofreram atentados. Dois deles morreram, o terceiro sobreviveu.
É Fereydoun Abbasi-Davani, chefe da Organização de Energia Atômica do Irã. Em reunião da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU, narrou como ele e sua esposa escaparam de uma explosão no seu carro. Acusou Israel pelo atentados, com apoio dos serviços secretos dos EUA e do Reino Unido. Segundo Abbasi : “Há 6 anos atrás os serviços de inteligência do Reino Unido começaram a colher informações sobre meu passado, minha família, meus filhos.”
Parte destas acusações foram praticamente comprovadas pelo Ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, em entrevista ao Der Spiegel. Perguntado se seu país estava por trás dos atentados contra os cientistas iranianos, Barak  sorriu e disse que Israel não respondia. Como inocentes costumam proclamar sua inocência, a dedução é que a resposta de Barak equivaleria a um “sim!”
Assassinato de civis num país estrangeiro, fora de um campo de batalha, é considerado crime pelas leis internacionais. Mas Israel não se incomoda nem um pouco com possíveis punições, pois sabe que os EUA estarão sempre prontos a fulminar qualquer denúncia com seu veto no Conselho de Segurança da ONU.
Os EUA e o Reino Unido, é lógico, negaram participação nos atentados, não ficaria bem para países que se dizem tão éticos mandarem matar gente de um país com o qual não estão em guerra.
Na verdade, guerra existe, porém não a convencional, apenas guerra suja, que é aquela executada por agentes secretos e espiões, que podem cometer toda sorte de crimes, em nome do interesse do seu país, e que, quando presos, são rotineiramente executados.
Philip Giraldi informa que o governo americano planeja ações de insurgentes nas fronteiras do Irã com o objetivo de desestabilizar o país.
Sua principal aposta é nos Azeris. Existem 20 milhões de pessoas dessa etnia na fronteira noroeste com o Azerbadjão, que partilham com o povo desse país a mesma língua e cultura. Ainda em regiões fronteiriças vivem 1,6 milhão de baluchs, 14 milhões de curdos e 6 milhões de árabes. Desde os tempos de Bush, atua por ali o Jundulá, responsável por uma série de ataques e assassinatos de iranianos.
Atribui-se a elementos do Jundulá e do Mujahedin e-Khalq (MEK) a execução dos assassinatos de cientistas, sob a direção dos serviços de inteligência israelenses e americanos. Aliás, seria por isso que tantos políticos e generais pleiteiam que os EUA retirem o MEK de sua lista de movimentos terroristas. Afinal, inimigos do meu inimigo, dizem eles, meus amigos são.
A inteligência americana acredita que essa variedade de raças diferentes representa um problema étnico para o governo do Irã. A idéia é estimular os elementos descontentes a praticar atentados contra soldados e funcionários do governo, fornecendo a eles dinheiro, treinamento, equipamentos de comunicação e armas.
Já existe um pequeno movimento de azeris, pretendendo unir sua região ao Azerbadjão, o qual não é indiferente a esse objetivo. O ministro das Relações Exteriores desse país, Elmar Mammadyarob, esteve em outubro, em Bruxelas, onde manteve reunião com autoridades americanas, na qual se tratou da “ameaça iraniana”.
A recente explosão que destruiu uma importante instalação de mísseis no Irã e causou a morte do general em chefe desse setor foi provavelmente obra dos serviços de inteligência inimigos. O fato do governo iraniano ter negado que se tratou de sabotagem é pouco relevante: não quiseram admitir falhas na salvaguarda de suas instalações militares essenciais.
A contra espionagem de Teerã obteve uma vitória quando prendeu 12 agentes da CIA. Todos eles eram habitantes do país que prestavam informações por dinheiro.
Mais significativa foi a derrubada de um avião piloto espião, capturado em boas condições. Segundo o Washington Post, as autoridades americanas temem que importantes segredos tecnológicos do avião tenham sido resgatados pelos iranianos. O Irã enviou à Casa Branca  “fortes protestos contra a violação de um RQ-170 avião espião do nosso espaço aéreo” e pediu “urgentes respostas e compensações do governo dos EUA”. Também pediu a condenação dos EUA na ONU.
Para  Philip Giraldi, as intenções dos iranianos são de não ficaram apenas na defesa. Um indício de que vão retaliar seria a explosão na embaixada britânica no Bahrein, por enquanto, de autoria indeterminada..
Até agora, o Irã limitou-se a fornecer armas e treinamento às milícias xiitas, que combateram os americanos no Iraque, ao Hamas, que enfrenta os israelenses em Gaza, e ao Hisbolá, que combateu os mesmos israelenses, no Libano.
Todos esses grupos são partisans, movimentos de resistência contra tropas de ocupação. Agora, por influência dos iranianos, podem partir para o ataque.
O Irã é predominantemente xiita, assim como o Iraque. Com a saída dos americanos, é inevitável uma grande aproximação entre os dois países, coisa nada agradável para os EUA.
Apesar da retirada dos exércitos americanos e aliados programada para o fim do ano, ficarão alguns milhares de soldados e mercenários civis para proteger a embaixada e treinar o exército do Iraque.
Não se sabe se o Irã também enviará militares para treinar iraquianos, pretenderá instalar bases ou simplesmente provocará choques com os americanos, usando o apoio da população xiita em seu favor.
Os sunitas minoritários são francamente apoiados pelos sauditas. Tem havido esforços do governo de Bagdá para estabelecer um modus vivendi pacífico entre as duas comunidades religiosas. Mas subsiste uma tensão entre elas, que pode até levar a uma verdadeira guerra civil.
Os americanos, através dos seus aliados sauditas, podem influenciar poderosamente para que os sunitas se oponham à provável alianças Irã-Iraque. Mesmo praticando ações terroristas.
No Afeganistão, os iranianos não podem contar com os talibãs, que, por serem sunitas fanáticos, jamais se aliarão a um país xiita. São, porém, próximos das etnias Tajik e Hazara, inimigos dos talibãs. Não será surpresa se os Tajiks e Hazaras se dispuserem a ajudar o Irã a criar problemas para os exércitos dos EUA na região.
No Bahrein, a religião xiita conta com 70% da população. Por enquanto, o Irã nada fez para apoiar as revoltas que agitaram o país, conforme a conclusão de uma Comissão de inquérito neutra sobre os fatos. No entanto, o descontentamento dos xiitas diante da violência da repressão e da falta de atendimento às suas reivindicações facilitará bastante qualquer iniciativa iraniana para a retomada das manifestações de protesto.
O Bahrein é um país delicado para os EUA, pois lá está estacionada a 5ª.frota americana, que não estaria a salvo de eventuais atentados.
A Arábia Saudita também olha com preocupação a evolução dos acontecimentos no Bahrein. Teme que rebeliões xiitas se espalhem por contágio pela Província Oriental, rica em petróleo, onde vivem as minorias xiitas do país. Nesse contexto, ações secretas iranianas podem causar mais problemas ao governo saudita e levá-lo a duras repressões, com o conseqüente crescimento do ódio.
No Paquistão, o ataque americano que causou a morte de 28 soldados agravou o relacionamento já tenso entre os dois países. Aqui não seria campo de ação para a inteligência iraniana. Esse papel caberia a sua diplomacia. O Irã pode ganhar créditos junto ao governo de Islamabad, oferecendo melhores condições para fornecimento de gás e apoio aos interesses paquistaneses no Afeganistão. Não estaria fora de cogitações que o governo local, em retribuição, restringisse, ou mesmo mantivesse fechada a passagem por território do Paquistão de caminhões com suprimentos para o exército americano no Afeganistão.
As perspectivas de uma expansão da guerra suja não são nada animadoras para a paz.
Na Guerra Fria, isso aconteceu, com as duas partes praticando assassinatos e atentados a bomba, desembaraçadamente.
Sucede que a situação era completamente diferente.
O Irã não é a União Soviética. Seu poder é infinitamente menor. A bandeira do comunismo não pode ser comparada com a do xiismo, que não é nem universal, nem pretende conquistar governos do Ocidente. E, é claro, ao Irã faltam condições ou desejos de fazer guerra aos EUA, tendo ou não bombas nucleares, pois seu governo não é insano.
Aos israelenses convém esta confusão. Com a ajuda da grande mídia, já compararam Ahmadinejad a Hitler; convenceram o povo americano de que um Irã nuclear destruiria Israel e bombardearia cidades americanas; e, via EUA, afirmam que a Europa será alvo das possíveis bombas ‘A’ iranianas.
O complexo industrial militar americano colabora para divulgar estas idéias fantásticas. Uns porque uma guerra aumentaria seu poder, outros, os seus lucros.
E o governo Obama, por oportunismo, desejo de agradar seu eleitorado e financiadores judeus americanos, concorda. Lidera ameaças e sanções contra o Irã. Quer instalar um escudo anti-míssil na Europa, mesmo entrando em conflito com a Rússia,  alegando ser necessário para proteger os países europeus de ataques iranianos. E agora lança-se numa guerra suja, vergonhosa para um país que se apresenta ao mundo como paradigma da justiça e da democracia.
Mat  Hibbs, expert em assuntos nucleares do Carnegie Endowment, na Alemanha, lembra que o bombardeio por Israel de uma usina nuclear iraquiana, em 1981, foi precedido de tentativas de assassinato de cientistas iraquianos.
Nos EUA e em Israel, os tambores de guerra  vem sendo tocados cada  vez com mais força. Os pré-candidatos presidenciais republicanos pregam a guerra contra o Irã e censuram a “fraqueza’ de Obama. Que se defende, lembrando que se deve a ele o assassinato de Bin Laden e mais uns tantos líderes terroristas, através de aviões sem piloto.
Nesse coro wagneriano, passaram batido duas interessantes declarações.
Uma delas veio do Ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak , que, num programa de TV americano, deu o serviço. Afirmou que o objetivo do programa nuclear iraniano não seria agressivo – atacar Israel- mas defensivo, afinal o país está cercado por potências nucleares: Rússia, China, Índia, Paquistão e Israel.
Em outra ocasião, Barak (sempre ele), ao defender a necessidade de impedir que o Iraque conseguisse produzir “a bomba”, declarou: ”Os EUA teriam atacado Saddam Hussein se ele tivesse armas nucleares?”
Como diria Hamlet, ”há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.”

1 pensou em “Guerra suja bombando

  1. parece brincadeiras mais uma guerra dos estados unidos desta vez contra o ira os americanos tem q ter respeito pelos outros pais eles atacam e matam criancas estrupam onde eles supostamente tem os olhos voltados e para as riquesas dos paises q sao vitimas das ganacias americanas os paises tem q ficar as ordem dos americanos sem se defender para na horas q eles quiser atacar e tomar tudo eles nao ter resistencias militar bricadeiras fazer como fez no iraque q esta ate hoje sofrendo ataques supostamente terroristas o ira esta certo tem q se preparar contra os ganaciosos

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