Guerra ao ISIS: a história pode se repetir.

Mesmo depois de 314 ataques aéreos de americanos e aliados, o  ISIS continua dando as cartas.

No front iraquiano, eles conservam em suas mãos o norte do país e estão completando a conquista de toda a província central de Anbar.

O oeste de Bagdá já pode ser alcançado por sua artilharia, quase em condições de atingir o aeroporto e, assim, fechá-lo.

Na Síria, os extremistas estão perto de tomar a cidade curda de Kobani.

Seria uma grande vitória,  pois Kobani é chave para o controle de uma grande área da fronteira com a Turquia.

Os milicianos curdos se queixam dos EUA.

Eles resistem há mais de três semanas, mas tem poucas chances.

Reclamam  que seus adversários contam com tanques, artilharia e foguetes, enquanto que eles só dispõem de armas leves. Pedem armas pesadas aos americanos para poderem combater em igualdade.

Para os curdos, os bombardeios aéreos não estão resolvendo nada.

Idriss Nassan, porta-voz do comando curdo explica: “Eles (o ISIS) adaptaram suas táticas aos ataques aéreos. Cada vez que um jato se aproxima, eles abandonam suas posições em campo aberto, espalham-se e se escondem”.

Tudo indica que a estratégia do presidente Obama está falhando.

Através do seu porta-voz ele pretende passar despreocupação, insistindo que sua estratégia “baseia-se em algo que ainda não está em ação.”

Esse “algo” seria a força que o Pentágono vai treinar, os cinco mil rebeldes sírios moderados.

Os mesmos a quem o presidente referiu-se, em agosto, ao dizer que armá-los seria “uma fantasia” , nunca fora considerado uma estratégia viável…

Com base nessa “fantasia”, que, por sinal, só estará em condições de lutar daqui a um ano, as perspectivas de derrota do ISIS parecem remotas.

Já que Obama, com razão, nega-se a enviar tropas terrestres para lutar na região, ele e seus aliados pressionam a Turquia para assumir este encargo.

Mas o governo de Ankara já negou fogo, nem pensem nisso.

Seus motivos são sólidos.

Muito extensa, com cerca de mil quilômetros, a fronteira Turquia-Síria é extremamente vulnerável.

Caso o exército turco entrasse na guerra, não teria condições de defendê-la contra ataques que o ISIS provavelmente desfecharia.

As operações se deslocariam também para o território da Turquia, com a morte de muitos soldados e um número ainda maior de civis. Além de pesadas perdas materiais.

E tem mais: teme-se que haja células de extremistas do ISIS no interior do país, prontas para lançar atentados suicidas.

Nesse cenário de cores tormentosas, os turistas, que representam 10% das divisas do país, sumiriam do pedaço, com grandes prejuízos para a economia.

Sem as necessárias tropas terrestres turcas ou americanas, como vencer o ISIS?

Não dá para confiar nos rebeldes moderados sírios, de cuja força o próprio Obama debochou recentemente.

Os curdos são pouco numerosos e o exército iraquiano está em fase de reorganização, até agora perdeu uma atrás da outra.

Acredito que a melhor solução seria apelar para o governo de Damasco.

Seu exército é forte, aguerrido e bem armado e teria a vantagem de lutar em seu próprio país, motivado a defendê-lo.

Realizando operações em conjunto com a aviação americana seria páreo para o ISIS, com boas chances de derrotar os terroristas.

Claro, Obama teria de deixar de lado suas muitas condenações do regime Assad, esquecer que ele jurou jamais sossegar enquanto não desbancasse o presidente sírio.

Depois, seria necessário que a Casa Branca pressionasse o Qatar e a Arábia Saudita, de onde tem jorrado centenas de milhões de dólares em armas para a revolução síria, a aceitar aliar-se a Assad, seu tradicional inimigo.

Por fim, conseguir um acordo entre Assad e os rebeldes moderados, talvez incluindo novas eleições, participação da oposição no governo e anistia geral.

Os rebeldes provavelmente iriam chiar muito, mas acabariam  arreglando, sem os EUA e os países do Golfo seu movimento iria para o espaço.

Parece uma solução fantástica, mas a algumas dezenas de anos aconteceu algo assim.

Os EUA e o Império Inglês odiavam de morte a União Soviética, mas se aliaram a ela para enfrentar um inimigo comum muito pior.

E assim o mundo foi salvo da barbárie nazista.

Vale tudo contra a nova barbárie.

 

 

 

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