Governo inglês esconde investigação de terrorismo.

Foi em fins de 2015.

O ex-premier Cameron precisava autorização do Partido Liberal para aprovar na Câmara dos Comuns o bombardeio do ISIS, na Síria.

Se fosse no Brasil bastava oferecer um ministério, cargos em estatais, promoções de afilhados…

No Reino Unido é mais complicado.

Os liberais pediram, em troca do seu apoio, uma investigação sobre o financiamento e apoios desses grupos radicais islâmicos. Cameron topou.

Why not?

Porque os suspeitos principais eram os sauditas, bons compradores de armas britânicas.

Mas Cameron, presumivelmente corajoso, topou investigar.

Os meses passaram, e como não aconteceu nada, Tom Brake,  líder liberal, pôs a boca no trombone.

Pediram calma para ele e disseram que a investigação, embora incompleta, estava nas mãos da então secretária do Interior, Teresa May, para análise.

18 meses depois do pedido da investigação, sendo agora Teresa May premier, o Departamento do Interior informou que não achava necessário publicar o trabalho, pois seu conteúdo era “muito delicado”.

Tirando o dele, o governo informou que a decisão final ficaria para o próximo primeiro-ministro, a ser eleito em 8 de junho de 2017.

A essas alturas, as conclusões dos analistas, baseando-se nos inexplicáveis adiamentos e nos pronunciamentos de vários líderes europeus, era de que os sauditas, bons amigos e clientes do governo conservador, teriam muita culpa no cartório.

Tom Brake então escreveu à primeiro-ministro: ”18 meses mais tarde e considerando dois horríveis ataques terroristas por cidadãos nascidos na Inglaterra, o relatório continua incompleto e não publicado. Não há segredo de que especialmente os sauditas fornecem recursos para centenas de mesquitas na Inglaterra, divulgando a interpretação do Islã de um wahabismo extremamente radical. É exatamente nestas instituições onde o extremismo inglês tem suas raízes. ”

O conhecimento de um fato grave veio confirmar Brake.

Em dezembro de 2016, relatório vazado dos serviços federais de inteligência da Alemanha acusavam vários países do Golfo Arábico (inclusive a Arábia Saudita) de financiarem as madrassas (escolas religiosas) e mesquitas, onde salafitas radicais e wahabitas fazem pregações (The Guardian, 31 de maio).

A publicação do relatório do departamento do Interior não poderia esperar mais.

Insistindo em deixar a decisão para o próximo governo, Teresa May mostrou que isso nunca aconteceria.

Sua re-eleição parecia certa. As pesquisas ainda lhe indicavam uma boa dianteira.

Ela pode dar com os burros na água.

Hoje, 3 de junho, Corbyn diminuiu a vantagem conservadora para apenas 3 pontos, segundo pesquisa do YouGov.

E ainda temos uma semana antes da eleição.

Vencendo os trabalhistas, o relatório será publicado.

Vai ser fogo.

 

 

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