Gaza: perdas e ganhos.

Nesta guerra de 8 dias, as perdas e ganhos se repartiram entre os protagonistas dos dois lados.

O único que só saiu engrandecido foi quem negociou a trégua: o Presidente Morsi.

Enquanto a ONU estava paralisada pela recusa dos EUA em aceitar uma recomendação do Conselho de Segurança que não afirmasse o Hamas como o principal culpado, Morsi agiu com firmeza.

Sem deixar de criticar os ataques de Israel, apresentou-se como um mediador, com os olhos voltados unicamente para um cessar fogo.

Com o desenrolar dos acontecimentos, as duas partes acabaram querendo mesmo interromper a sangueira, desde que com honra.

Todos se voltaram para Morsi.

Até o antes relutante Obama que, no dia da negociação final, telefonou inúmeras vezes para o presidente dói Egito.

Até Bibi e o Ministro das Relações Exteriores Lieberman, que no passado queria Gaza tratada como a Rússia fizera com a Chechênia, agradeceram a Morsi por seu papel decisivo.

Ele emergiu como um estadista respeitado em todo o Oriente Médio.

Netanyahu também auferiu lucros eleitorais, aparecendo como o comandante de Israel que defendeu seu povo contra o terrorismo do Hamas. Nem tantos quanto esperava pois, depois dele e a imprensa pintarem os palestinos como inimigos a serem esmagados (“devolvidos à Idade Média”), grande parte dos israelenses ficou decepcionado com uma paz que deixou o Hamas à solta e Gaza firme e resoluta.

Mas para Bibi e o Likud a continuação da guerra , com a invasão de Gaza trazia riscos sérios.

Novos atentados como o do onibus que feriu 28 pessoas; foguetes caindo em Telaviv e Jerusalém e, desta vez, podendo atingir área habitadas e matar muita gente; a crescente condenação da opinião pública mundial pelas mortes de civis palestinos; possíveis baixas, até substanciais, do seu exército.

Embora com a perda de grande número de foguetes e a destruição de sua infra estrutura administrativa, o Hamas não deixou de contabilizar ganhos.

Graças à sua capacidade de lançar foguetes sobre Telaviv e Jerusalém passou a ser um inimigo de respeito.

Apesar de fazerem poucas vítimas, seus foguetes de curto e médio alcance conseguiram paralisar por um bom espaço de tempo a vida no sul de Israel o que representa muito em termos de guerra psicológica.

Certamente esses fatos pesaram na aceitação por Israel de suavizar o bloqueio de Gaza, como condição do cessar fogo.

Mesmo diante do apocalíptico bombardeio de Gaza pelas poderosas máquinas de destruição saídas dos arsenais americanos, a liderança do Hamas permaneceu firme, sem interromper sua chuva de foguetes, nem desistir de sua reivindicação quanto ao alívio do bloqueio de Gaza.

Não se sabe no que isso consistirá mas acredita-se que sua explicitação faça parte de um acordo secreto.

Finalmente, vale falar sobre Obama.

Ele poderia ser um dos atores principais desse drama. Preferiu ser um figurante, preocupado muito mais em proclamar seu amor incondicional a Israel e incriminar o Hamas pelo conflito do que em procurar resolvê-lo.

No fim, se obteve aplausos de Netanyahu e do Partido Republicano, isso não lhe servirá de nada.

Bibi continuará negando-se a parar de criar novos assentamentos, impossibilitando o início das negociações da solução dos 2 estados.

E os republicanos não deixarão de defender a redução dos impostos dos ricos e o corte dos benefícios sociais, dificultando a salvação da economia americana.

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