“F***-se a Europa”.

Essa exclamação não partiu de um político da Síria, da Rússia ou de Israel (eles andam loucos com os europeus), como seria mais lógico.

O autor foi alta autoridade dos bons aliados americanos.

O jornal ucraniano Kyiv Post, no dia 6 de janeiro, publicou a transcrição de um diálogo gravado entre a sub-secretária do Exterior americano, Victoria Nuland, e o embaixador do país em Kiev, Geoff Pyat.

Nuland não queria a nomeação do opositor Klitscko para vice primeiro- ministro, aceitando seu aliado, Yatsenuk para o posto de primeiro – ministro. Aliás, convidados pelo presidente Yakunovich, ambos rejeitaram.

Ela informou ao embaixador Pyat que a ONU concordara em mandar alguém para ajudar a resolver a crise ucraniana.

E comentou: “F***-se a União Européia.”

Claro, pegou muito mal.

E não só pelo uso de uma expressão nada diplomática.

O diálogo entre as duas altas autoridades americanas indica existir uma intervenção dos EUA na política interna ucraniana, o que seria violação de soberania. Coisa feia, vetada pelas leis internacionais.

Além disso, insinua desprezo e mesmo insatisfação com a participação da Europa no affair.

Esses fatos são confirmados por uma declaração vazada de um assistente da sra.Ashton, chefe das relações exteriores da Comunidade Européia.

Ele reclama dos americanos que, em reunião com a oposição ucraniana, criticaram a Europa por ser muito soft, ao recusar-se em impor sanções contra o governo Yanukovick.

Depois de enrolar algumas horas, Nuland acabou admitindo o que disse e pedindo desculpas pela sua , digamos, diatribe.

Jack  Carney, assessor de imprensa da Casa Branca insinuou que os diplomatas russos  foram os responsáveis pela gravação.

E Jan Psaki, portavoz do Departamento de Estado criticou os homens de Moscou por terem posto rapidamente no You Tube a desastrada frase da sra.Nuland.

Lembrou que, na intimidade, as pessoas liberam emoções e não medem palavras, exprimindo idéias que não são necessariamente as do seu governo.

Nesse caso o feitiço virou contra o feiticeiro.

Os americanos sentiram na pele conseqüências da violação de privacidade, coisa que seu governo faz, grampeando telefones de milhões de pessoas.

Não deve ter sido nada agradável para a Casa Branca receber um pito da chanceler da Alemanha, Ângela Merkel.

Ela mandou dizer por seu porta-voz que considerava “absolutamente inaceitável” o fraseado , digamos, coloquial da sra.Nuland.

E enfatizava novamente que “…Catherine Ashton está fazendo um trabalho excelente.”

 

 

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