EUA exigem que Afeganistão viole a lei.

O atentado das Torres Gêmeas produziu alguns sub-produtos altamente indesejáveis.

Principalmente um medo desmedido de novos ataques.

Aproveitando esse sentimento da população, o governo Bush criou leis e procedimentos para, segundo ele, garantir a maior segurança ao país.

Alguns exemplos são a generalização das torturas de suspeitos; as rendições extraordinárias da CIA – na qual suspeitos eram seqüestrados em países estrangeiros e levados a casas secretas para interrogatórios com torturas; a espionagem eletrônica e a prisão sem julgamento e sem prazo definido de quem o presidente julgar suspeito.

Tudo isso foi sistematicamente usado pelo governo Bush.

Obama manteve a prisão sem provas, nem julgamento, sem prazo de duração.

Pela constituição americana e de todos os países democráticos, essa prática é absolutamente proibida.

No entanto, uma lei do Congresso, não vetada por Obama, lhe dá validade nos EUA.

Em Guantánamo, existem 48 prisioneiros nessa condição.

O exército americano levou essa estranha lei, digna de ditaduras, para a o Afeganistão, onde na prisão de Bagram, chegou a ter 3.000 suspeitos encarcerados.

Segundo a  advogada Daphne Evitar, do Human Rigths Watch, as condições eram “… piores do que em Guantánamo porque lá há ainda menos direitos.”

O New York Times, com base nos arquivos de investigação do exército, obtidos graças à Lei de Liberdade de Informação, informou o que acontecia em Bagram: “…os maus tratos dispensados aos prisioneiros eram rotina, sendo pendurados no teto das celas, chutados, humilhados e ameaçados com cães.”

Com esse tipo de tratamento, vários prisioneiros morreram, o que motivou uma investigação do exército.

27 sargentos e soldados foram apontados como suspeitos, 15 dos quais  foram levados a julgamento.

Alguns foram absolvidos, outros condenados a penas leves, de uns poucos meses de prisão.

Durante o processo de passagem da segurança nacional ao governo de Kabul, Bagram foi transferida para o controle do exército afegão, em março deste ano.

O presidente Karsai criou uma Comissão de Revisão para decidir o que fazer com os prisioneiros.

650 foram libertados por ausência de provas.

No entanto, autoridades militares dos EUA protestaram contra a libertação programada de mais 88.

Alegaram que eram criminosos empedernidos, terroristas com sangue americano nas mãos. Os afegãos deveriam conservá-los presos indefinidamente, pois representavam perigo.

Prestativo, Karsai ordenou que a inteligência afegã investigasse cuidadosamente cada caso.

Isso foi feito e a conclusão chegou na semana passada: a única prova existente contra os 88 era a palavra dos oficiais americanos.

Provavelmente, as chamadas evidências não passavam de meras deduções ou confissões obtidas por métodos violentos, tipo waterboarding. Perfeitamente lícitos no governo Bush, porém proibidos pelo presidente Obama.

Para os EUA, era suficiente para conservar os prisioneiros de Bagram trancafiados por um período de tempo indeterminado.

Exatamente como acontece em Guantánamo, sob os auspícios de leis autoritárias do congresso americano.

Os oficiais do exército de Tio Sam não se conformam e Karsai está sendo pressionado para revogar a libertação dos 88 suspeitos.

Até hoje (8 de janeiro), o presidente afegão resiste.

Muito chato, o país que criou a Declaração dos Direitos, querendo impor seu desrespeito.

Jefferson,  Washington e Tom Paine estão tremendo em suas tumbas.

 

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