Emirados torturam, EUA fingem que não vêm.

Depois da Arábia Saudita os Emirados Árabes Unidos são quem mais atua na coalisão que invadiu o Iêmen para repor no governo o presidente Hadi, deposto pelos rebeldes houthis por acusação de corrupção.

Os EUA apoiam a coalisão com Inteligência, comunicações, ações militares pontuais e abastecimento de gasolina em pleno voo a bombardeiros que já mataram 10 mil iemenitas e destruíram milhares de habitações, além dos serviços de água, energia, saúde e transportes. O que levou a economia ao caos- num país que depende da importação de 80% dos seus alimentos- condenando a população à fome.

No sul, a coalisão enfrenta a al Qaeda- que ali é forte- com a ajuda de bombardeios e ataques de drones americanos.

Nessa região, os Emirados tem papel decisivo no combate aos terroristas.

Pesquisas da Associated Press e da Human Rights Watch descobriu uma rede de prisões, onde suspeitos de terrorismo são investigados com uso das mais cruéis formas de tortura.

Estima-se que muitas centenas desses indivíduos (dois mil segundo seus familiares) desapareceram em mais de 18 prisões clandestinas.

Nesses locais, geridos por autoridades dos Emirados e grupos de iemenitas anti-houthis, torturas são aplicadas em todos os presos quase diariamente. Além dos habituais espancamentos, ataques sexuais  e choques elétricos, os “especialistas” usam um método particularmente bárbaro: o grill. Os suspeitos são amarrados num espeto que gira sobre um círculo de fogo, como num churrasco.

Elemento dos serviços de segurança dos EUA estão presentes nesses verdadeiros centros de torturas, mas ficam longe delas.

Só depois de serem “convenientemente” torturados é que os suspeitos são levados para serem interrogados pelos americanos.

O problema é que os agentes de Trump aproveitam as informações obtidas graças aos métodos dos profissionais dos Emirados. E isso, afirma a Human Rigths Watch, viola a Convenção Internacional Contra Torturas.

Há indícios de que, possivelmente, as culpas yankees foram bem mais graves.

No complexo de detenção do aeroporto Riyan, na cidade de Makala, ex- prisioneiros contaram que foram jogados em navios containers, lambuzados com fezes, espancados, atacados sexualmente e amarrados num espeto. Segundo integrantes de milícias iemenitas aliadas, oficiais americanos estavam há poucos metros do local das brutalidades.

É claro que gravíssimas torturas deixam sinais visíveis no corpo. Não dá para supor que não seriam notados pelos oficiais. Os quais na certa teriam ouvido os gritos dos torturados

Mas, os americanos não tomaram qualquer atitude.

Como aqueles macacos que tampam os olhos, os ouvidos e as bocas, numa imagem muito conhecida.

Permitir por omissão que pessoas sejam torturadas é considerado cumplicidade.

Ryan Goodman, professor de leis na Universidade de Nova Iorque, que foi conselheiros do Departamento de Defesa até o ano passado, diz que tanto o aproveitamento de informações prestadas por torturados, quanto as omissões descritas acima, podem ser qualificados como crimes de guerra.

Já o general James Mathis, secretário da Defesa dos EUA, elogiou os Emirados por sua luta contra a al Qaeda,  chamando a união de países do Golfo de “pequena Esparta”.

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