Egito e Jordânia romperão acordos com Israel?

Tudo indica que sim.

Egito e Jordânia são os únicos países árabes que mantêm relações diplomáticas e tratados de paz com Israel, que implicam numa série de obrigações recíprocas.

O Egito foi o primeiro, em 1979, sob pressão dos EUA.

Os EUA favoreceram esse acordo,pois o Egito, no governo de Anuar Sadat, tinha entrado para sua órbita, passando a receber ajuda econômica do governo de Washington.

As relações entre o Egito e Israel se estreitaram no governo de Mubarak, sucessor de Sadat.

O Tratado Israel-Jordânia veio em 1994.

Também aqui se desenvolveram as relações entre as duas partes, especialmente na área comercial.

Com a Primavera Árabe, esse quadro deve mudar, especialmente porque tanto o islamismo quanto o nacionalismo árabe, as principais correntes do movimento, tem sérios problemas com Israel.

A ocupação militar da Palestina, o bloqueio e a Guerra de Gaza, os ataques israelenses e ocupações do Líbano, as ameaças de bombardeio do Irã são alguns pontos que forjam o antagonismo árabe em relação aos israelenses.

Não se acredita muito no futuro das relações egípcio-israelenses.

Recentemente o Parlamento do Egito aprovou uma resolução, com apoio de todos os partidos, que dizia; “O Egito revolucionário nunca será amigo, parceiro ou aliado da entidade sionista, que consideramos o inimigo número 1 do Egito e da nação árabe.”

Concluía exigindo a revisão de suas relações e acordos com Israel.

No mesmo sentido pronunciou-se a Irmandade  Muçulmana, maior partido do país, e os salafitas, segunda força.

Amyr Moussa, candidato favorito a presidente, tido como liberal e o mais simpático ao Ocidente, foi além.

Em discurso recente no Sul do Egito afirmou que os Acordos de Camp David  e o Tratado de Paz com Israel “estavam mortos e enterrados.”

Na Jordânia, a Primavera Árabe não derrubou a realeza, mas exige reformas democráticas que estão sendo conseguidas aos poucos.

Quando o rei Abdulla nomeou como primeiro ministro Farez Tarawneh, que teve papel importante no processo de paz com Israel, o povo ergueu-se em protesto.

Realizaram-se manifestações populares em sete cidades.

Vários partidos e grupos sociais, inclusive a Irmandade Muçulmana e movimentos de jovens, uniram-se na condenação da declaração de Farez  que, se fosse necessário, apoiaria o tratado de paz.

“Esta pessoa evidentemente não respeita a vontade do povo”, declarou Jamil Baker, porta voz da Irmandade,”e suas palavras são a prova do quanto longe ele está do cidadão médio.”

A opinião dessas vozes discordantes é que o tratado de paz é um fracasso, pois Israel não respeita suas obrigações, especialmente no que se refere à partilha da água, à custódia da Jordânia sobre os Lugares Santos de Jerusalém (que é negada) e o acesso à Palestina.

A menos que Netanyahu mude radicalmente sua posição atual contrária à independência da Palestina, em breve não deve haver mais nenhum país árabe mantendo relações com Israel.

 

 

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