David Cameron populista.

O populismo de esquerda galopa ruidosamente pela grande mídia.

No entanto, o populismo de direita merece apenas pequenas notas de pé da página de poucos e grandes periódicos, que costumam oferecer as mais amplas coberturas políticas.

E olhe que o assunto é dos mais atuais.

O fato é que o digno David Cameron, primeiro-ministro e líder do Partido Conservador inglês, pisou nessa bola.

E com consequências provavelmente desastrosas.

Nas eleições do ano passado, Cameron sentiu que poderia perder o lugar.

Muitos eleitores do seu partido estavam se passando para o UKIP, que defendia a saída do Reino Unido da Comunidade Europeia.

Cameron, que já se declarara contrário a essa tese, deixou de lado seus pudores de gentleman e declarou que, vencendo os conservadores, ele, num acesso de democracia, promoveria um referendo para o povo decidir se queria ou não despedir-se da União Europeia.

Embora as chances do good bye inglês fossem altas e ele soubesse que seria um passo em falso para o reino de Sua Majestade, Cameron, de modo claramente populista, atendeu a seu eleitorado rebelde.

O resultado, todos conhecem: Cameron ganhou, foi reeleito. Infelizmente às custas do azar do Reino Unido, cujas perspectivas fora da Europa não são nada agradáveis.

Possivelmente envergonhado por sua ação populista, que abriu espaço para a desastrosa saída, David Cameron renunciou à sua posição de líder dos conservadores e primeiro-ministro do Reino Unido.

No entanto, não perdeu seus pendores autoritários, próprios de um líder conservador do país que uma vez ruled the world.

Irritado com as perguntas ácidas que lhe fazia o líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, ele apelou para que o adversário deixasse a Câmara.

Pelo bem do país.

 

Certamente esqueceu daquela vez em que optou por agir em seu próprio bem.

Ainda que contra o do país.

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