Clinton, entre os votos e os bilhões

Bernie Sanders foi a maior surpresa das prévias presidenciais americanas.

Sem o apoio dos grandes nomes do partido, nas esferas federal, regional municipal, conseguiu ganhar em 22 estados e ficar a menos de 2% em outros cinco.

Sem o dinheiro das grandes empresas contou com o dinheiro do povo: 2,7 milhões de eleitores fizeram mais de 8 milhões de contribuições.

Sua mensagem, tirar das corporações o controle da política nacional e aumentar os rendimentos das classes média e baixa, diminuindo os lucros fantásticos dos 1% mais rico, sacudiu nação.

Tendo assim mesmo perdido, recusou-se a sair candidato independente ou pelo Partido Verde, apoiando Hillary Clinton, diante do perigo dos EUA caírem nas mãos ensandecidas de Donald Trump.

Aparentemente, com isso a soma dos seus adeptos aos de Hillary Clinton seria praticamente invencível.

Mas, não é bem assim.

Hillary tem uma longa história de proximidade com os setores mais repudiados do capitalismo americano: os bancos, financeiras e empresas de seguros que povoam Wall Street.

Na campanha de Bernie Sanders, ela foi apontada com a candidata de Wall Street, dos principais responsáveis pela crise cujas vítimas principais foram os setores que Sanders defende.

Embora Hillary tenha dito que irá regulamentar as operações financeiras dos megabancos e tenha um programa com medidas sociais avançadas, sua credibilidade nos seguidores de Sanders não é das maiores.

Pesquisa mostra que 30% deles garantem que não votarão em H.Clinton, sendo que 40% está nessa, no importante estado de New York, um dos que tem mais votos eleitorais.

Seria uma perda de duríssima recuperação, Trump passaria a ser o favorito.

Claro, Sanders deve se empenhar ao máximo para convencer seus adeptos renitentes, mostrando que a plataforma presidencial dos democratas incluirá pontos násicos do programa dele.

Será suficiente?

Será, se o vice de Hillary for a senadora Elizabeth Warren. Suas ideias são similares, diferem muito pouco das do candidato socialista.

Ela é considerada um dos mais importantes membros de esquerda do Partido Democrata. O que não bate muito com as posições muito mais moderadas dos seus correligionários.

Apesar disso, de acordo com o The Guardian: “Warren permanece uma liderança partidária – talvez a única depois de Barack Obama- que é respeitada pelos dois lados em que se divide o Partido Democrata. ”

Não admira que sua escolha como candidata a vice-presidente está sendo muito bem vista pois contribuiria decisivamente para trazer a H.Clinton a maioria dos 30% eleitores refratários de Sanders. Mas há que se oponha.

Wall Street.

Com Warren, as principais empresas financeiras desta rua de onde diariamente entram e sem bilhões negam-se a doar o 1,5 bilhão de dólares necessários para a campanha de Clinton.

Tem bons motivos.

A senadora tem feito do big business de Wall Street o alvo prioritário de sua atuação parlamentar.

Ela pontua que o setor financeiro foi o grande responsável pela crise de 2008 que levou à desgraça o povo americano.

Que, apesar disso, continua atuando, talvez com um pouco menos de liberdade.

Para evitar que provoquem novas crises do porte da última, ela acha preciso desmontar seu poder econômico.

Warren luta por regulamentos ainda mais fortes para o setor financeiro.

Fracionar as maiores instituições financeiras, transformando-as em várias unidades independentes é seu projeto mais ambicioso.

Foi ela quem criou o Birô de Proteção Financeira dos Consumidores, muito mal visto por diversos bancos.

Dá para entender o ultimato de Wall Street à campanha Clinton: ou Warren ou 1,5 bilhão de dólares.

Os democratas ficaram numa saia justa.

Precisam da senadora para ajudar decisivamente

Bernie Sanders a convencer sua gente a dar os votos necessários a Hillary Clinton.

Mas também não tem com o dispensar a nutrida ajuda de 1,5 bilhão de dólares para levantar a imagem da candidata, com a necessária propaganda nos 50 estados.

Qualquer decisão é arriscada.

Os adeptos do bilhão de Wall Street alegam que, sendo convincente e apelando para as emoções, Sanders poderá dispensar por desnecessário o apoio de Elizabeth Warren.

Já os que querem a candidata da esquerda partidária dizem que Wall Street não é tudo no mundo dos negócios.

Trabalhando bem e bastante, será possível conseguir dinheiro de outras empresas fora do circuito dos megabancos e afins.

Inclusive, um Sanders dramático pode até conseguir contribuições de boa parte dos 2,7 milhões de adepto enviaram à sua pré-candidatura.

Os dados estão rolando.

Quem vencerá? O dinheiro ou o voto.

Façam suas apostas.

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