Armas americanas fortalecem o Talibã.

Neste ano, as despesas das forças militares no Afeganistão chegarão a cinco bilhões de dólares. Quase mais de 800 milhões em relação a 2016 (Army Times, 25 de julho).

É claro, tudo por conta dos EUA.

As coisas estão pretas, com o Talibã mais bem armado do que nunca.

O chato é que boa parte das armas e equipamentos militares dos rebeldes foram enviadas pelos EUA.

Indiretamente, é claro.

Com a experiência das guerras contra os soviéticos e os americanos, os insurgentes aprenderam a aumentar seus arsenais com armas made in USA.

Parte delas vem de saques nos combates vencidos por eles contra as forças do governo, apoiadas pelos EUA, e na tomada de cidades do país.

Talvez a contribuição mais maciça aos arsenais talibãs seja feita pelo próprio exército afegão. Em muitas cidades, como em Uruzgan, soldados venderam munições a pessoas da rergião, inclusive a comandantes do Talibã.

No grande número de deserções, que continuam acontecendo, muitos recrutas, logo após receberem o primeiro salário, roubam seus rifles de assalto e desaparecem na noite, talvez a caminho do posto mais próximo do Talibã para venderem seus furtos ou aderirem ao movimento.

Nesses negócios nada éticos, os EUA estão perdendo sua superioridade em armamentos que sempre tiveram nas guerras contra rebeldes pelo mundo a fora.

Os mini-caminhões armados Hunivees, por exemplo, invenção americana extremamente útil nos campos de batalha, aparecem cada vez mais nas mãos terroristas de milicianos talibãs. Nesse pique, a insurgência ameaça se equiparar em número de Hunivees às forças do governo.

O necessário aumento dos orçamentos militares na guerra do Afeganistão é também forçado por uma trapaça local: os chamados “soldados fantasmas” (ghost soldiers).

Oficiais do governo de Cabul informaram que alguns militares de altas patentes registram, nas folhas de pagamento dos seus comandados, soldados que não existem. Quando os salários chegam, vão direto para os bolsos ávidos desses ilustres cabos de guerra.

A CNN insinuou que os russos estariam armando os terroristas diretamente, com base num vídeo que mostrava soldados locais brandindo armas made in Moscou. Foi mais uma demonstração de desrespeito à ética jornalista pela grande mídia americana. Videos, fotos e inúmeras informações provaram que se tratava de quantidade ínfima. Nem por sombras comparável ao número muitas vezes maior de armamentos dos EUA de posse dos insurgentes.

Claro, ninguém jamais acusou o Pentágono de estar fornecendo intencionalmente todas estas armas ao inimigo.

Os roubos, saques e vendas clandestinas de grandes volumes de armamentos americanos tem ajudado o Talibã a ganhar terreno.

Na semana passada, por exemplo, foram tomados os distritos de Taywara e Kohistan, obrigando as forças de segurança a se retirarem, à espera de reforços.

Esses êxitos refletem a nova estratégia dos rebeldes. Até há pouco, eles preferiam atacar alvos numa mesma região, para assumirem seu controle total.

Agora, o foco se espalha por diversas regiões, não contíguas. O objetivo é desorientar as forças do governo e dos seus aliados dos EUA que, para retomar uma cidade ocupada pelos talibãs, são obrigados a desguarnecer outras regiões em seu poder. O que as torna mais vulneráveis aos ataques do inimigo.

Essa situação desconfortável levou o general McMaster, conselheiro especial de segurança no governo Trump, a batalhar pelo envio de forças realmente de peso, algo como uns 50 mil soldados ( Bloomberg).

Parece que Trump não gostou da ideia, afinal durante a campanha ele pregara a retirada do Afeganistão, “uma guerra inútil”.

Talvez para contemporizar, decidiu que somente mais cerca de 5 mil soldados seriam inicialmente despachados para a luta.

Agora é possível que ele esteja vendo “utilidade” na guerra. O New York Times, de 25 de julho, divulgou que assessores presidenciais e oficiais afegãos afirmaram haver uma vasta riqueza mineral no país, pronta para ser explorada por companhias ocidentais (leia-se: americanas).

Coerente com anteriores declarações, quando sustentou que o erro dos EUA no Iraque fora não ter se apossado do petróleo para pagar as despesas das invasões americanas, The Donald sensibilizou-se pelo assunto. Para ele, a exploração dos metais afegãos poderia justificar um grande empenho de  Tio Sam para liquidar logo a fatura, desembarcando forças substanciais no Afeganistão.

Ele pensa em enviar um executivo da indústria de mineração, Michael N.Silver, para analisar o potencial da extração de minérios raros, para uso em produtos high tech.

O bilionário Stephen A.Feinberg, conselheiro informal de Trump sobre o Afeganistão, também viajará para lá. Com objetivos mais avançados: analisar meios para explorar a nova riqueza afegã.

Cogitará The Donald de aplicar a ideia, exposta no Iraque, de usurpar riquezas de países sob intervenção americana para pagar os custos militares?

Nem Bush foi tão longe.

 

 

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