A volta de Bernie Sanders

No início de outubro, a pré-candidatura de Bernie Sanders EUA nas prévias do Partido Democrático dos EUA parecia estar ruindo.

Binden continuava em primeiro, enquanto Elizabeth Warren subia nas pesquisas, aproximando-se do líder.

Bernie, em terceiro lugar cada vez mais longe, tinha se internado num hospital, devido a uma doença cardíaca.

Depois de restabelecido, ele voltou á campanha, com recomendações médicas de reduzir atividades.

Muitos achavam que, sem chances, o candidato progressista deveria renunciar, apoiando sua companheira de ideias, a senadora Warren.

Mas Sanders afirmou que estava plenamente recuperado.

E depois de uma pequena pausa para ganhar folego, entrou de cabeça na disputa eleitoral.

E, aí, surpresa!

As pesquisas mostravam que Sanders estava revertendo a situação. Na segunda quinzena do mês, já estava em segundo, superando Elizabeth Warren.

A diferença em favor de Binden foi se reduzindo aos poucos. De cerca de 15% em fins de setembro, foi para 8% em meados de fevereiro.

E, mais importante, as previsões para a primeira das primárias democráticas a realizar-se em Iowa, no próximo dia 3, são muito positivas. De acordo com a mais recente pesquisa, Binden e Sanders estão empatados na liderança, com Elizabeth Warren e Peter Butigglieri um pouco afastados.

O cáucus de Iowa é considerado estratégico, desde o tempo de Bill Clinton quem venceu ali acaba também conquistando a candidatura pelo Partido Democrático.

Por isso, todos os candidatos estão concentrando forças em Iowa para chegarem na frente nesse estado.

Em Iowa, o azarão Butigglieri ia bem, tendo a certas alturas conseguido até desbancar o líder, Binden.

Mas, não se manteve assim por muito tempo. Sanders, que vinha de uma desconfortável quarta posição, atacou na reta final.

Elizabeth Warren e Butigglieri foram rapidamente ultrapassados e o senador por Vermont agora partilha o primeiro lugar com o ex-vice de Obama, enquanto os outros dois postulantes ficaram para atrás embora ainda mantenham esperanças.

Difícil dizer quem ganhará.

Binden deve seu sucesso até agora á afirmação aceita pela maioria do partido de que seria o único democrata capaz de vencer The Donald.

Conta também a seu favor o fato de ter sido o vice-presidente de Obama, hoje o político de mais prestígio no Partido Democrata.

Atento á mudança que deslocou muitos dos democratas liberais para a esquerda, o ex-senador defende ideias que fariam as propostas da candidatura de Hillary Clinton parecem vindas do capitalismo Manchesteriano.

Isso apesar de essencialmente não diferirem muito do que pregam Sanders e a também progressista Elizabeth Warren. Medicina para todos, sim, mas com a permanência dos convênios com empresas privadas. OK, eliminação do desemprego mas de forma gradual, com programas que não esvaziem o Tesouro Nacional. As grandes empresas terão de pagar mais impostos, mas sem exageros, apenas derrubando as isenções de Trump ao que fora estabelecido por Obama.

Sendo os EUA um país basicamente de classe média, acredita-se que, mesmo ansiosa por reformas, a maioria dos eleitores tem medo de avanços radicais e abruptos, prefere alterações moderadas, implantadas aos poucos.

Para Bernie Sanders, o momento para mudar tudo é já. O povo não aceitaria mais pequenos avanços, que não resolvem problemas e se avolumam, ano após ano. E os recursos necessários sairiam das fortunas e das grandes empresas. Isso causaria uma profunda redução das desigualdades e do poder das grandes corporações em benefício do chamado 1%, criando-se uma democracia mais justa econômica e politicamente.

Por enquanto, as ideias de Sanders foram adotadas pelo maioria dos eleitores jovens da população. Segundo pesquisa NewsHours-Marist, realizada em 19-12-2019, 37% dos americanos até 45 anos o preferem , sendo que 18% ficam com Warren e 17% com Binden.

O candidato progressista conta também com os adeptos mais entusiasmados tendo sua campanha recebido doações de 5 milhões de pessoas, que enviaram um total de 34 milhões de dólares, até agora.

Nenhum outro candidato conseguiu recursos tão elevados.

A campanha de Sanders é vitaminada por um número superior de voluntários ao que dispõem seus adversários. O que pode pesar de forma significativa no dia do cáucus.

Em New Hampshire, o segundo estado das pré-primárias democratas, a situação é igual, Sanders e Binden lutando cabeça a cabeça, com Elizabeth Warren vindo em seguida, porém aqui, bem próxima dos líderes.

Na semana passada aconteceu uma situação inesperada, que pode ameaçar seriamente as pretensões do candidato progressista.

No decorrer da campanha, Sanders e Warren, que tem posições praticamente iguais, se respeitaram mutuamente. Em nenhum momento dos debates entre o grupo de candidatos do partido, transmitidos pela Tv para todo o país, qualquer dos dois senadores sequer dissentiu do outro.

Falava-se que, caso no transcorrer das pré-primárias, um dos progressistas reunisse muito mais votos eleitorais do que o outro, este renunciaria em favor do companheiro.

Sucede que os lideres de campanha do senador Berneie Sanders falaram abobrinhas. Espalharam que Elizabeth Sanders não tinha chances porque somente votariam nela intelectuais e pessoas de nível universitário. Portanto, para não perder seu voto, beneficiando Binden, seria pfreciso votar em Sanders.

A senadora por Massachusetts certamente ouviu este apelo desagradável. E sentiu-se traída.

Chegou no último debate queimada e ,a certas alturas, declarou que ,numa conversa em fins de 2018, Bernie Sanders lhe dissera não acreditar que uma mulher pudesse ser eleita presidente dos EUA.

Sanders negou. Elizabeth insistiu. E aí pesou. Os dois saíram de cara feia e ,ao que se sabe, ainda não se reconciliaram.

Acredito que o senador, mentindo ou não, precisava mesmo negar. Do contrário, arriscava-se a perder muitos e talvez decisivos votos.

 Nos EUA o movimento feminista é muito forte.

De qualquer maneira, acho que Elizabeth Warren agiu mal.

Não se denuncia publicamente alguma bobagem dita por um companheiro de forma impensada, em conversa privada. Ainda mais apresentando o fato fora do seu contexto. Que poderia não passar de um argumento usado por Sanders para tentar convencer Warren a desistir da candidatura para apoiá-lo.

Não se sabe o quanto esta bola fora poderá prejudicar Bernie Sanders.

Até o caucus de Iowa, em 3 de fevereiro, há tempo para os dois progressistas acertarem os ponteiros, arrumando uma explicação crível.

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