A volta da Diplomacia do Porrete.

Expressão criada pelo presidente Theodore Roosevelt (não confundir com o sobrinho Franklin) a Diplomacia do Porrete (Big Stick Diplomacy) foi aplicada pelos EUA entre fins do século 19 e os anos 30 do século 20. Consistia em intervir pela força nos países da América Central, Caribe e norte da América do Sul para defender interesses econômicos americanos.

O corpo dos fuzileiros navais americanos foi largamente usado na invasão e ocupação de países relutantes em obedecer ao diktat da Casa Branca.

Com o presidente Franklin Delano Roosevelt, este bizarro método de praticar boa vizinhança foi abandonado, sendo substituído pela “diplomacia do dólar”, que é, sem dúvida, uma forma ao menos mais civilizada de pressionar outras nações.

A Diplomacia do Porrete acabou de ressurgir na Albânia (Reuters, 19-7) quando o enviado oficial dos EUA ameaçou os políticos locais de terríveis punições caso não aprovassem um determinado projeto.

Trata-se de reforma do judiciário para torna-lo capaz de enfrentar a corrupção endêmica que assola o país. É o que consta ser seu objetivo expresso.

Depois de 18 meses de discussão, os parlamentares ainda não tinham chegado a uma conclusão.

O problema era a exigência embutida no projeto de que funcionários dos EUA e da União Europeia teriam poder de veto sobre juízes que considerassem pouco dignos de usarem as becas.

Não há dúvida de que obedecendo a essa exigência, a soberania da Albânia iria para o espaço.

De outro lado, é fundamental que a Albânia entre na União Europeia para sair do isolamento a que foi condenada durante o estalinismo. Para aceitar a entrada do país na organização continental os europeus esperam a aprovação da reforma até 21 de julho. Caso contrário, só no ano que vem.

Mas o povo albanês tem pressa.

Reuniu-se em volta do parlamento, clamando para que os políticos se entendessem rapidamente.

Donald Lu, o enviado americano, participou da manifestação e falou duro: “Haverá consequências específicas negativas dos EUA para os líderes políticos que votarem contra as reformas. Posso lhes garantir que estas consequências serão severas e demorarão muito. ”

Diante de argumentos filosóficos tão eruditos, é provável que os líderes da oposição esqueçam a defesa da soberania nacional e votem logo a favor do projeto.

Se não o fizerem, acredita-se que os fuzileiros navais não serão chamados a intervir.

Nem por isso, os oposicionistas deixarão de sentir na pele a mão pesada de Tio Sam.

 

 

 

 

 

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