A Chavez o que é de Chavez.

Chavez é o alvo preferido dos ataques da grande mídia do Brasil.

Estado, Folha, Rede Globo e Veja não param de atacar o presidente venezuelano, apresentando notícias, artigos e entrevistas quase sempre contrários a ele e sua gestão.

O assunto da vez é o adiamento da sua posse.

Afirmam que, não tendo tomado posse no dia certo, o vice deveria assumir e marcar novas eleições no prazo de 30 dias.

Como o governo interino decidiu esperar pela recuperação de Chavez, a direita venezuelana, apoiada pela nossa mídia, fez o maior barulho.

Acusou os chavistas de estarem burlando a Constituição, algo semelhante a um golpe branco.

No entanto, tanto a OEA (“Organização dos Estados Americanos”) quanto a justiça local nada viram de ilegal na situação.

Para as forças anti- Chavez essas decisões foram parciais.

Mesmo não as levando em conta, lembro que juristas de várias tendências opinaram que a Constituição venezuelana não é clara quando trata do assunto.

Já que é assim, que tal raciocinar de forma objetiva?

Em outubro de 2012, o povo demonstrou que queria Chavez por um placar de 55% contra 44% do adversário.

Se vale respeitar sua vontade (afinal,a Venezuela é uma democracia), porque não esperar pelo desfecho da doença de Chavez?

Não vai demorar muito.

Mas a direita desconfia.

Nossos probos órgãos de informação já levantaram a hipótese de que os chavistas planejariam um golpe, pois a incapacitação definitiva do presidente forçaria nova eleição na qual, Capriles, o campeão da direita, certamente venceria.

Eu não estaria tão certo disso.

Certo que Maduro, o candidato do governo, nem de longe tem o carisma de Chavez.

Mas não se pode subestimar o legado do presidente.

Na sua falta, os resultados do seu governo pesarão a favor do aliado, Maduro.

Nos seus 14 anos no poder, Chavez conseguiu uma grande elevação do nível de vida da população carente sem igual no continente.

A pobreza  e o desemprego foram reduzidos pela metade – a miséria caiu em mais de 70% – triplicou o número de aposentados que recebem pensões – a renda per capita aumentou de 4.100 dólares, em 1999, para 10.810, em 2011 – a Venezuela tornou-se o país com menor desigualdade social em toda América Latina.

Mesmo os jornais, a revista e a TV brasileiras inimigas admitem que a situação do povo melhorou.

No entanto, juram de pés juntos que a economia é pessimamente administrada, colocando a Venezuela à beira do abismo.

Os fatos não confirmam essas informações sombrias.

No ano passado, a Venezuela cresceu 5,5% (o Brasil não chegou a 2%).

Segundo o FMI, a dívida projetada da Venezuela em 2012 corresponde a 51,3% do PIB.  Nada mal comparando com a média dos países da União Europeia que é de 82,3%.

O empreguismo público é outra falácia largamente disseminada.

Desmentida novamente pelos frios e incontestáveis números: apenas 18,4% da força de trabalho venezuelana está no setor público, contra 22% na França, 29% na Noruega e 20% na Suécia e Dinamarca.

Não há dúvidas de que a inflação é excessivamente alta.

Em 2012 atingiu 19,9%.

É um mau resultado mas representa um ganho se considerarmos que , em 2010, essa cifra foi de 27,2%, o que prova estar sendo eficiente a política anti-inflacionária do governo.

Claro, que em áreas como liberdade de imprensa, autonomia do judiciário e exercício do poder há muito o que criticar em Chavez.

Mas, agora estamos falando numa possível nova eleição e nas chances de um candidato chavista vencer.

O apelo pela continuidade de um governo que melhorou em muito as condições de vida do povo costuma ser muito forte.

Pode até dar a vitória a um candidato sem carisma como Maduro.

 

 

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