Trump faz novas ameaças.

Depois de ameaçar a Coreia do Norte com destruição total, o Paquistão e outros países-membros da ONU com corte de ajuda econômica, Trump continua girando sua metralhadora verbal.

Chegou a vez da Palestina e dos refugiados.

Em dois dos seus sempre bizarros tuítes, The Donald rugiu. Pretende parar com “esses maciços futuros pagamentos” aos ingratos palestinos a quem os EUA dão “centenas de milhões de dólares por ano, sem receber valorização ou respeito.” E ainda por cima, vejam só: “Eles nem sequer querem negociar um já atrasado…tratado de paz com Israel.”

Interpretando as palavras do seu chefe, Nikki Haley, a vociferante embaixatriz dos EUA na ONU, informou: “O presidente não quer mais fornecer fundos até que a Palestina volte à mesa de negociações.”

Como Trump declarou já ter tirado dessa mesa a questão de Jerusalém, os representantes palestinos deveriam esquecer essa exigência e dispor-se a ouvir as demais propostas de paz do presidente americano.

Aí, tudo bem, as habituais centenas de milhões de dólares de ajuda não seriam mais cortadas (temo que as ameaças voltariam a ser servidas caso os palestinos não aceitassem as soluções presidenciais).

Mohamed Abbas, o presidente da Autoridade Palestina, rebateu de bate-pronto: a Palestina não está à venda.

Agora, Trump tem de mostrar que não estava de brincadeira.

Do contrário, acaba virando um tire de papel.

A dúvida é: onde ele vai cortar?

Nikki Haley sugeriu que será das contribuições dos EUA à UNRWA, entidade da ONU que presta assistência a refugiados, especialmente palesnios.

Se ela estiver certa, Thge Donald vai deixar grande parte dos 5 milhões dos refugiados palestinos sem assistência médica, sem escola, sem alimentação de emergência, sem abrigo.

São famílias expulsas pelo exército israelense ou que fugiram com medo das violências militares, durante as guerras de independência de Israel, além de centenas de milhares afetadas pela guerra civil da Síria.

Todos esses refugiados, espalhados por vários países do Oriente Médio, recebem atendimento da UNRWA em suas necessidades básicas.

Diz o New York Times (3-1-2018): “Mais de 500 mil crianças estudam nas 700 escolas administradas pela UNRWA em todo o Oriente Médio.             A UNRWA fornece recursos para mais de 9 milhões de consultas nas suas instalações de saúde na região. Ela emprega 30 mil pessoas.”

Já pensou como ficariam milhões de refugiados se, de um dia para outro, ficassem sem ter o que comer, seus filhos forçados a trocar a escola pela rua, seus doentes abandonados….

Os EUA são os maiores contribuintes da UNRWA, no ano passado entraram com 360 milhões de dólares, um terço dos 1,1 bilhão do orçamento da entidade.

Em 3 de janeiro deste ano, os EUA deixaram de entregar 125 milhões de dólares à UNRWA. Seria o começo da tesourada? Não, diz o departamento de Estado americano, o governo limitou-se a adiar o pagamento dos 125 milhões.

Por enquanto, uma espada pende sobre as cabeças dos refugiados palestinos, mas a decisão final só será tomada em meados de janeiro.

Ainda não se sabe ao certo se os refugiados palestinos serão as vítimas da “fúria e fogo” do presidente americano.

É possível que ele prefira cortar a ajuda americana aos habitantes das regiões da Palestina administradas pela Autoridade Palestina.

Outros países e entidades privadas também colaboram com recursos financeiros, mas a contribuição dos EUA é a mais significativa.

Informa o The Guardian (3-1-2018) que os EUA enviam anualmente cerca de 260 milhões de dólares à Autoridade Palestina para pagamento de despesas da administração, assistência médica, educação, serviços de água, energia elétrica, etc

Mais 50 milhões de dólares costumam ser destinados à segurança.

Além de manter a ordem nos territórios administrados pela Autoridade Palestina, a polícia local presta serviços que oficiais do exército israelense consideram “cruciais para a segurança de Israel”no monitoramento e prisão de elementos radicais perigosos.

Em 2015, o sub-secretário de Estado do governo Obama, Anthony Blinken declarou: “A Palestina e Israel dispõem de mecanismos e canais para a coordenação da segurança, que ajudam a garantir a segurança de palestinos e israelenses, moradorers da Cisjordânia (o West Bank), identificam e evitam ataques terroristas em Israel (Electronic Intifada, 2-1-2018).”

Segundo as leis internacionais, as forças de ocupação são obrigadas   a providenciar serviços básicos à população das regiões que controlam.

Até agora, Israel tem feito de conta que não é com ele.

Se Trump resolver cortar suas remessas à Palestina, Israel vai ter de abrir a carteira.

Acontece que o orçamento nacional de 2018 não prevê centenas de milhões de dólares para atender às necessidades vitais de alguns milhões de palestinos e à própria segurança israelense.

Aposto que Netanyahu irá recorrer a seu paternal aliado da Casa Branca.

Se quiser mostrar que quando se saca o revolver, é necessário atirar (conforme lições de John Wayne, num western antigo),Trump deverá escolher entre a catástrofe dos refugiados e as obrigações financeiras de Israel.

Façam suas apostas.

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