Trump e Groucho Marx.

Recente tuite do presidente Trump me fez lembrar de uma célebre piada em um filme de Groucho Marx.

Ele acaba de se tornar ditador de um país não identificado. Chega ministro com um imenso volume e informa que se trata do orçamento nacional.

Diante do olhar assustado de Groucho, o ministro o acalma:

– Até uma criança de quatro anos entenderia.

E Groucho ordena:
– Tragam-me uma criança de quatro anos.

Acho que Trump deveria previamente submeter seus bizarros pronunciamentos, não digo a uma criança de quatro anos, mas a um assessor mais velho que tivesse uma cultura geral, pelo menos superficial.

Se fizesse assim, The Donald escaparia de mais um vexame,  como causou seu tuite de 5 de fevereiro, no qual dizia:

“Os democratas defendem um sistema universal de saúde enquanto milhares de pessoas estão marchando no Reino Unido porque seu sistema está quebrando e não funciona. Não, obrigado.”

Como presidente dos EUA, ele deveria saber que o sistema universal de saúde do Reino Unido há muitos anos vem sendo considerado o melhor do mundo.

E os ingleses dão mais valor a ele do que às joias da Coroa.

Pesquisa do IPSOS-Mori revela que para “52% do povo , o Sistema Nacional de Saúde é o que lhe faz ter mais orgulho de ser inglês. Ficaram atrás: as forças armadas (47%), a família real (33%), a seleção inglesa (33%) e a BBC (22%).”

Trump conseguiu irritar, não só a população, como também os principais partidos ingleses.

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, o contestou assim : “Errado. As pessoas estavam marchando porque amam o Sistema Nacional de Saúde e odeiam o que os conservadores (governo) estão fazendo com ele. Saúde universal é um direito humano.”

Ele falou a verdade, os manifestantes mencionados por The Donald clamavam por mais verbas e mais médicos, reduzidos pelos ajustes fiscais do governo conservador de Teresa May.

Justamente por isso, eles defendiam medidas para preservar o alto nível de atendimento da saúde pública no Reino Unido.

Jamais a privatização.

E, Teresa apesar de ser alvo dos protestos, não deixou de defender o sistema de saúde nacional, através de Jerome Hunt, seu ministro da Saúde.

Hunt declarou:” O Sistema Nacional de Saúde pode sofrer críticas, mas eu tenho orgulho de viver num país que inventou a cobertura universal – onde todos recebem atendimento de saúde, não importa o tamanho de sua conta bancária.”

E foi enfático: ”Nenhuma delas (das pessoas da marcha) gostaria de viver em um sistema onde 28 milhões de pessoas não tem cobertura (referia-se à situação nos EUA).”

Lá, Trump fez o possível para acabar com lei de Barack Obama que aumentou o número de americanos com direito a saúde gratuita.

Sob sua liderança, o Partido Republicano tentou revogar essa lei, mas não conseguiu a maioria necessária.

O que deixou The Donald duplamente chateado, por ser a lei criada por Obama, cuja obra como presidente dos EUA ele vem sistematicamente tentando derrubar (muitas vezes com sucesso).

Com seu tuite infeliz, Trump  enfureceu os ingleses. Justo um dos povos que mais lamentam a grande furada dos eleitores americanos na última eleição presidencial.

Recentemente, Teresa May teve de adiar visita oficial do presidente americano devido às vaias e cartazes ofensivos com que a presença dele seria celebrada.

A viagem foi marcada para o fim do ano.

Previdente, Teresa May está procurando aliviar a má imagem de The Donald junto aos ingleses.

O novo tuite do presidente não ajuda em nada.

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