Sob o patrocínio da Casa Branca, o terror vem do céu.

Quando contaram a Christol Heynz, relator da ONU sobre execuções extrajudiciais, que os drones americanos (aviões sem piloto) atacavam quem vinha socorrer as vítimas de um ataque anterior, ele afirmou : “se for verdade, seria crime de guerra”.

Estudo realizado pelas Universidades de Nova Iorque e Stanford no Paquistão apurou que era verdade, sim.

Desde 2004, os drones varam os céus do Paquistão em busca de talibãs e conexos para os eliminar inexoravelmente com seus mísseis.

Nos tempos de Bush, era um ataque por mês.

Obama adorou a eficiência da arma e aumentou o número de ataques para 1 a cada 4 dias.

Até agora eles contabilizaram entre 2.562 e 3.325 mortes, segundo o Birô de Jornalismo Investigativo.

Muitos talibãs foram eliminados. Infelizmente, como essa máquina de matar não é infalível, pacíficos paquistaneses acabaram também sendo alvejados..

Quantos de cada categoria não se sabe ao certo porque, segundo Obama, considera-se talibã morto todo paquistanês que for atingido numa zona de combate.

Como “zona de combate” na região é algo muito pouco definido, entende-se porque não dá para se fazer uma estatística razoavelmente precisa dos números de inocentes e culpados mortos.

As universidades americanas de Nova Iorque e Stanford realizaram uma pesquisa sobre a ação dos drones e seus efeitos no Waziristão, região do Paquistão mais alvejada.

Os pesquisadores realizaram mais de 130 entrevistas, durante 9 meses.

Descobriram que nos 345 ataques de drones , apenas 2% das vítimas eram comprovadamente milicianos talibãs de “alto nível”.

Para os EUA, está valendo a pena. No entanto, o preço pago pelo povo do país tem sido extremamente alto.

Diz o relatório do estudo: “Os drones pairam 24 horas por dia sobre comunidades no noroeste do Paquistão, destruindo lares, veículos e espaços públicos, sem aviso. Sua presença aterroriza homens, mulheres e crianças, gerando ansiedade e traumas psicológicos em comunidades civis. Aqueles que vivem sob a ameaça dos drones,  tem de enfrentar o medo constante de que um ataque mortal possa atingi-los a qualquer momento e a consciência de que não tem como se protegerem.”

Cada vez mais a CIA, que opera os drones, vem empregando uma tática particularmente maligna: o double-tap (“Duplo choque”).

No double-tap, depois de um ataque, quando pessoas se aproximam para socorrer os atingidos, os drones lançam mísseis também contra elas.

A idéia que está por trás é: quem vai socorrer talibãs, talibã também é.

Mas, e quando os alvos iniciais eram gente inocente?

Segundo os ativistas, essa tática tem aumentado consideravelmente o número de mortes de civis via drones.

Um dos resultados é que, para evitar o double-tap, as pessoas freqüentemente levam muitas horas para levar assistência às vítimas dos mísseis disparados do céu.

“Este tipo de ataque (o double-tap) está se tornando cada vez mais comum”, declarou ao The Independent o advogado Mirza Shazad Akbar, que atua na região.

POR SUA VEZ, a BBC relacionou mais alguns problemas causados pelos drones:

– crianças recusam-se a ir para a escola com medo de serem alvejadas pelos  mísseis;

– além de morte e ferimentos, os mísseis lançados pelos drones causam danos nas propriedades e traumas emocionais nos feridos e suas famílias;

– as pessoas tem medo de comparecer a reuniões, casamentos, funerais ou festas, eventos que já foram várias vezes alvos dos drones;

– os ataques estimularam o anti-americanismo ao extremo, provocando adesão de muitos jovens a movimentos terroristas.

Como o New York Times comentou, “os drones substituíram Guantanamo como instrumento de recrutamento de militantes radicais.”

Certamente tiveram muito a ver com o resultado de uma recente pesquisa na qual 74% da população paquistanesa declarou considerar os EUA um inimigo.

Refletindo a indignação popular, autoridades de todos os níveis já protestaram contra o governo de Washington.

O Parlamento por 3 vezes exigiu o fim dos vôos dos drones. O mesmo fizeram diversos generais, ministros e praticamente todos os partidos políticos.

Em 2011, o Primeiro Ministro Gilani foi aos EUA levando essa solicitação.

Por sua vez, o embaixador do Paquistão nos EUA, Zamir Akram procurou a imprensa local para lembrar que seu país tem repetidamente condenado o uso de drones como ilegal e violador da soberania paquistanesa.

E acrescentou: “Milhares de pessoas inocentes, incluindo mulheres e crianças, tem sido assassinadas nesses ataques indiscriminados.”

Nada disso abalou Obama.

Seus generais estão contentes, a CIA está contente e, mais importante, o povo americano está contente.

Pesquisa recente da Pew Research revelou que apóiam essas máquinas de matar 74% dos republicanos, 60% dos independentes e 58% dos democratas. Só pode ser por estarem desinformados.

Feliz com esses números e com a eliminação de alguns chefes importantes de grupos terroristas,  Obama ampliou os horizontes dos drones: eles passaram a voar e a matar também no Yemen, Somália e Afeganistão.

Diante da chuva de protestos que vem do Paquistão, a CIA excusou-se, alegando que envia faxes ao ISIS (inteligência paquistanesa) avisando sobre os ataques dos drones e não recebe nenhuma reclamação.

O que faz supor que o governo de Islamabad está apenas fazendo jogo de cena, quando clama contra os drones. Finge que é solidário com a população para ganhar seu favor quando, na verdade, tem acordos com os EUA, autorizando os odiados vôos.

Enquanto isso, como afirma Clive Stafford Smith, diretor da ONG Reprieve: “Toda uma região está sendo aterrorizada pelo medo constante da morte que vem do céu.”

Depois, quando multidões em 23 países islâmicos atacam embaixadas americanas durante vários dias, sob pretextos aparentemente fúteis, o governo americano sente-se injustiçado.

E Obama põe a culpa na Al Qaeda.

 

 

 

 

 

 

 

 

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