Reino saudita sequestra opositores no exterior.

Império do Mal.

Era como Ronald Reagan chamava a União Soviética nos tempos da Guerra Fria.

Hoje existe um país com mais direito a esse cognome.

O extinto império comunista podia aqui e ali afrontar os direitos humanos mas não cometia crimes típicos de gangues ou grupos terroristas, que não dão valor nem à pessoas, nem às leis internacionais.

Em seis meses, entre 2015 e 2016, a Arábia Saudita sequestrou no exterior três príncipes sauditas e os mantem em local não sabido. Talvez num cemitério.

O The Guardian de 15 de agosto informa que a BBC exibe em breve um documentário que vai falar sobre essas ações.

Todas as vítimas eram membros do regime saudita antes de entrarem em movimentos políticos pacíficos de crítica ao governo do rei Salman e de seu príncipe herdeiro, Mohamed bin Salman.

Todos eles foram levados à força para Ryadh enre setembro de 2015 e fevereiro de 2016.

O documentário da BBC vai revelar tudo. Com testemunhas confiáveis e até provas documentais

Em 2 de fevereiro de 2016, o príncipe Sultan bin Turki, acompanhado por 20 amigos e colaboradores, muitos deles europeus ou americanos, tomou um avião para o Cairo .

Dois dos passageiros ocidentais contam no documentário que, a certas alturas, perceberam que o avião não voava para o Cairo, seu destino original. Souberam que iam para Riad, a capital da Arábia Saudita.

Advertido, o príncipe Sultan brigou com a equipagem, que se negava a corrigir a rota. Mas foi dominado pelo pessoal de bordo, agentes disfarçados.

Na chegada a Riad, Sultan foi arrancado do seu assento e levado a força, lutando e gritando para os passageiros avisarem suas respectivas embaixadas.

Não tiveram chance.

Enquanto o príncipe era obrigado a entrar num carro, que logo partiu, policiais e soldados sauditas, de arma em punho, embarcaram a força os acompanhantes  (inclusive moças ocidentais) em diversos carros. Levados para uma sala fechada, ali permaneceram presos por três dias. No último, um oficial apareceu e pediu desculpas. Sem explicações os encaminhou para um avião que os levou embora.

Quanto ao príncipe Sultan, nunca mais foi visto.

O documentário da BBC apresentou também a nova evidência de outro sequestro (anteriormente denunciado pelo The Guardian) que o príncipe Sultan sofrera em 2003.

Ele fora agarrado em Genebra por cinco homens mascarados. Que lhe injetaram um narcótico no lado do pescoço. Em seguida, foi colocado num avião destinado a evacuação de pessoas em emergências médicas.

O documentário exibe relatório médico do hospital King Faisal, de Riad, que confirma a aplicação da injeção no pescoço de Sultan, de acordo com o que ele acusara posteriormente.

Um dos acompanhantes do príncipe, cidadão inglês, informou que horas depois de Sultan sair do Intercontinental Hotel, o embaixador da Arábia Saudita chegou. E disse ao grupo do príncipe que eles deveriam ir embora pois Sultan já estava em Riad.

Denúncia da prática do crime de sequestro contra dois altos funcionários sauditas – o príncipe Prince Abdulaziz bin Fahd e o ministro de Assuntos Islâmicos, Saleh al-Sheikh- ainda está em aberto na justiça da Suíça.

Por sua vez, o governo suiço não fez nenhuma tentativa de averiguar o paradeiro do príncipe sequestrado.

O segundo príncipe citado, Turki bin Bandar, ocupava um cargo que envolvia altas responsabilidades – inclusive fiscalizar a família real.

Ele viajou ao Marrocos porque lhe haviam garantido que lá estaria seguro.

Não estava.

Antes de partir, deixou uma nota para um amigo do príncipe, que a mostrou durante o documentário.

Nela nota, Turki declarava-se assustado, temendo que o governo de Riad o sequestrasse ou mesmo recorresse ao assassinato.

Em novembro de 2015, o jornal, As Sabah noticiou a detenção de Turki e sua internação na prisão de Sala, no Marrocos, quando ele pretendia viajar de volta para a França, onde residia depois de fugir do governo de Riad.

Poucos dias depois, o príncipe Turki foi deportado para a Arábia Saudita, por requisição das autoridades sauditas. O rei do Marrocos, bom amigo do rei Sultan e de seu príncipe herdeiro, os atendeu com satisfação, sem maiores formalidades.

O terceiro príncipe desta lista macabra, Saud bin Salaf al Nasr, também estava condenado pelos déspotas que governam a Arába Saudita.

No documentário da BBC, um amigo do príncipe Saud conta que ele sabia que os sauditas pretendiam assassiná-lo ou sequestra-lo, se fosse conveniente.

E foi o que aconteceu.

O príncipe foi abordado por dois homens de negócios, pseudo-titulares de um consórcio russo-italiano. Eles eram portadores de uma oferta de parceria com Saud. E o persuadiram a embarcar logo num avião particular para dirigir-se à Itália, onde então finalizariam o negócio.

O avião partiu e… adeus Saud. Tratava-se de uma viagem sem volta.

Três príncipes dissidentes sequestrados num espaço de apenas seis meses. Sabe-se quem são os sequestradores e em que país estão suas vítimas.

Duvido que os serviços secretos das grandes potências não estejam a par destas atividades criminosas do reino saudita.

No entanto, os líderes mundiais preferem fazer de conta que não sabem de nada.

Aposto que, mesmo depois da exibição do documentário que acusa e prova as culpas do governo de Riad, nenhum deles vai sequer condenar as malazartes sauditas.

Afinal, trata-se de um grande importador de armas e outros bens. Pelo menos Tereza May e Trump não irão arriscar as bilionárias vendas de armas que fizeram e ainda vão fazer para o rei Salman e seu herdeiro número 1.

Tereza May já mostrou o quanto preza as libras sauditas. Ela está impedindo as revelações de uma pesquisa, encomendada “inadvertidamente” por Cameron, seu antecessor, sobre o financiamento dos terroristas no Reino Unido. Sabe-se que o dinheiro sujo de sangue e petróleo do novo império do mal jorra em torrentes para alimentar opções terroristas de jovens islamitas, influenciados por pregadores wahabitas, a religião radical de Riad.

Trump ainda tem motivos especiais para prezar a aliança especial com tão formidável aliado contra o Irã, que ele e o general Mattis vem como obstáculo número 1 para o império americano reinar no Oriente Médio, livre de insurgentes.

Há quem estranhe que Trump proclame que os Estados Unidos e a Arábia Saudita compartilham. valores.

Na verdade, The Donald, de um certo modo, não está mentindo.

Antes da dupla de tiranos sauditas, George W.Bush, republicano do naipe de Trump, também dava valor ao sequestro de adversários como método de ação política.

No seu tempo, o programa de renditions da CIA sequestrava suspeitos de ligações terroristas no estrangeiro e os transportava para países onde podiam ser interrogados com torturas, sem problemas.

 

 

 

 

 

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