Racismo dá voto?

Em 15 de julho, The Donald lançou alguns dos seus desatinados tuítes contra quatro jovens congressistas que vinham se destacando em críticas a seu governo.

Três delas, Ilhan Omar , Rashida TlaibAyanna Pressley são afro-americanas e a quarta, Alexandra Ocasio-Cortez, tem origem latino-americana.

Entre outras briutalidades , Trump chamou-as de “grupo de racistas criadoras de problemas”, “incapazes de amar nosso país” e, por fim, disse que elas “deveriam voltar para onde vieram.”

Só que todas são cidadãs americanas. Uma delas nasceu em outro país, mas vive desde menina nos EUA e tornou-se tão cidadã da América quanto o presidente republicano.
Esse inesperado ataque racista provocou uma onda de protestos e críticas de uma série de personalidades e organizações cívicas.

Teria The Donald exagerado no Jack Daniel’s?

Aparentemente seria irracional irritar minorias, numa fase em que seu prestígio com esses setores vai de mal a pior.

Os números mostraram que os tuítes causaram estragos na sua imagem como se esperava..

Pesquisa 15 dias depois dos tuítes revelou que, em relação ao que fora apurado em 8 e 9 de julho, a aprovação dos latinos ao desempenho do presidente caiu 16%, ficando em 23%.

Entre os afro-americanos, a queda foi de 5%, baixando o índice de aprovação para apenas 13%.

A surpresa geral aumentou quando Trump alvejou com seus tuítes dois respeitados líderes negros: o congressista Elijah Cummings e o reverendo Al Sharpton.

Aí foi demais.

Entre chocados e consternados, muitos observadores temeram que o morador da Casa Branca tivesse perdido o siso.

Para outros, o presidente estava perfeitamente consciente do que fazia.

Como dizia o personagem Polônio, em, Hamlet de William Shakespeare, ‘’há um método nessa loucura.”

Acredito que The Donald avaliou que teria pouco a perder nos eleitorados afro-americanos e latinos, já que em imensa maioria eles não pretendem mesmo votar nele.

De outro lado, agredindo expoentes destes setores, ele reforçaria seu prestígio junto a um número muito maior de racistas declarados. E até dos ocultos- aqueles que negam esta posição por vergonha, mas emocionalmente somam com ela.

Outras pesquisas parecem demonstrar que o suposto marketing presidencial estaria errado.

Em 30 de julho, segundo o projeto Five Thirty Eight, 42,4% dos americanos gostavam do atual governo americano, enquanto 52,4% o consideravam ruim.

Na semana passada, pesquisa USA TODAY/Ipsos revelou que 68% dos respondentes considerava os tuítes disparados contra as congressistas, ofensivos e que, para 59%, eram também não-americanos.

Mas é preciso levar em conta outros dados que, indiretamente, apontam em direção contrária.

Desde o lançamento de Biden como pré-candidato democrata, as sondagens que o colocam contra o morador da Casa Branca o colocam em vantagem por uma margem por volta de 10%.

Depois dos ataques racistas, foram realizadas duas pesquisas- pela Emerson e pela Fox News- conferindo as intenções de voto nos dois candidatos. Na média delas, a diferença pró-Biden caiu de 10% para 6%.

Embora esses resultados sejam pouco para indicar uma tendência, eles não deixam de ter certa importância.

Vamos esperar outras avaliações para podermos concluir se mostrar-se racista contaria pontos para um candidato a presidente dos EUA.

É triste que exista essa dúvida.

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