Pesquisa nos EUA renova aspirações palestinas.

Nos últimos decênios, Israel surfou no apoio dos dois partidos americanos rivais.

Mesmo eventualmente defendendo causas indigestas para o premiê Bibi, como o fim da expansão dos assentamentos e a “solução dos 2 Estados independentes na Palestina”, muitos congressistas democratas jamais se furtaram a assinar manifestações bi-partidárias pró-interesses de Israel.

Esta postura refletia o pensamento dos membros do partido.

No entanto, a partir de alguns anos atrás, algo está mudança. As pesquisas tem mostrado que, aos poucos, a base democrata vem questionando o apoio incondicional aos israelenses.  Processo que, em 2019, acelerou-se bastante, conforme pesquisa do Pew Research Center, realizada em abril do corrente.

Foi indagado aos participantes da pesquisa como eles avaliavam o povo e os governos de Israel e dos palestinos.

Verificou-se que 39% dos americanos tinham uma visão favorável tanto da população de Israel, quanto da Palestina, sendo que 25% preferiam os israelenses e apenas 8% valorizavam mais os palestinos.

Já ambos governos ganharam nota baixa: 11%. Neste quesito, Israel sai melhor: 28% versus 8% dos adversários.

Quando foi dada voz a democratas e republicanos separadamente, as novidades surgiram.

Foi realmente surpreendente a virada dos membros do Partido Democrata.

Pela primeira vez nas pesquisas, mais democratas são favoráveis ao povo palestino etnía (12%), do que aos israelenses (10%). Resultado semelhante se repete, quando se examina como os democratas vêm os governos dos dois países.

Nova vitória dos palestinos contra Israel: 13% versus 12%.

Nos dois quesitos, a maioria dos respondentes optou pela neutralidade.

Lembro que até poucos anos atrás, Israel costumava ganhar de lavada.

Seja como for, os números da nova pesquisa Pew Research são extremamente significativos, considerando  o viés pró-Israel da maior parte da grande mídia dos EUA.

Sem falar, é claro, que a defesa de Israel, é uma verdadeira tradição, enraizada nos “hearts and minds”do povo americano.

Acredito que a mudança de opinião dos democratas americanos se deve a diversos fatores.

Em primeiro lugar, a imagem israelense está sendo contaminada pela estreita ligação entre Israel e Trump, cuja imagem é desastrosamente baixa entre os democratas.

Evidentemente, Netanyahu também colabora, com ações cada vez mais repelidas pela opinião pública, como a expansão dos assentamentos, a sabotagem da “solução dos 2 estados independentes na Palestina”, a brutal Guerra de Gaza, o massacre do povo palestino na manifestação junto à cerca de Gaza, a anexação do Golã, o racismo anti-árabe, etc

Tudo indica que Trump vai seguir demonstrando seu amor eterno a Netanyahu, do qual, por sua vez, se pode esperar políticas ainda mais violentas, como a promessa de anexar a Israel os territórios onde estão instalados os assentamentos judaicos.

É possível esperar que os números da pesquisa Pew relativos ao Partido Democrata tendam a ser, nos próximos meses, ainda mais favoráveis aos palestinos.

O lógico seria que esta mudança nas posições da base partidária repercutisse na postura do seus líderes. Será que os congressistas democratas vão seguir se pronunciando a favor dos interesses de Telaviv, mesmo quando injustos e rejeitados pela base partidária?

Seria ingênuo supor que as ações desses políticos  são normalmente determinadas pelo pensamento da maioria dos membros do partido.

Há outros motivos envolvidos.

A AIPAC (maior lobby pró-Israel) e congêneres dispõem de centenas de milhões de dólares para financiar campanhas eleitorais de políticos amigos. Além disso, seus exércitos de militantes são muito eficientes para solapar as chances de candidatos recalcitrantes.

Também não vamos esquecer o imenso número de jornais, emissoras de Rádio e canais de Tv, espalhados pelo país, que costumam apoiar candidatos pró-Israel.

Claro, admito que muitos parlamentares democratas estão com Israel e não abrem por convicções íntimas, não necessariamente por interesses, digamos, subalternos.

O fato é que os fatores acima relacionados representam uma influência enorme na política dos EUA.

No entanto, quanto mais os adeptos do Partido Democrata forem críticos das ações e decisões de Telaviv, mais difícil será para seus congressistas cederem oportunisticamente à sedução dos grupos pró-Israel.

Além disso, se o Partido Democrata eleger o próximo presidente, em 2020, dá para esperar que os EUA voltem a assumir a mediação entre Israel e palestinos. Possivelmente, pressionando para que o governo Netanyahu faça concessões, facilitando a criação do Estado palestino independente.

É mais uma esperança para um povo que já as teve muitas, todas elas, até aqui, malogradas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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