Perseguiu, prendeu, torturou…e ganhou um cavalo da rainha.

O rei do Bahrein, país do primeiro time dos violadores dos direitos humanos, ganhou um garanhão da rainha da Inglaterra.

Elizabeth 2ª e o rei Hamad bin al Khalifa são amigos de longa data. Educado na Inglaterra, ele passa por ser um autêntico gentleman, que fala o idioma de Shakespeare com sotaque de Cambridge.

Quando a rainha completou 90 anos no ano passado, Hamad foi convidado para as festas. E não faltou.

Os grupos de direitos humanos da Inglaterra não gostam dessa amizade. Acham que o  governante de um regime brutal é uma má companhia para Elizabeth, a qual, como  rainha da Inglaterra, é o símbolo do país pioneiro no respeito às liberdades.

O governo de Hamad parece ser o oposto disto.

A Anistia Internacional informou que, menos de um mês antes da oferta do presente cavalar, o governo do Bahrein cancelou suas promessas de reformas democráticas e expandiu drasticamente a repressão a políticos dissidentes.

Manifestantes pró-democracia estão sendo tratados de uma maneira nada amistosa, atingindo sem dó, não apenas críticos do regime, como também seus parentes, que nada tinham a ver com os protestos.

Foi particularmente shocking a prisão de toda a família do líder oposicionista, Sayed Alwadei, inclusive dos seus filhos de tenra idade. Na ocasião a esposa de Alwadei, ora exilado em Londres, foi ameaçada de processo criminal. Os interrogadores culparam-na pela participação do marido num protesto em Londres, chamando-o de “um animal. ”

Outros membros da família do líder anti-regime já estão presos e enfrentam sérias acusações em processos criminais, aparentemente como retaliação à atividade oposicionista de Alwadei em Londres.

Diretor de advocacia do Instituto Bahrein pelos Direitos e pela Democracia, Alwadei, comentando o caso dos mimos reais, declarou ao Middle East Eye: “A rainha está sendo vista como alguém que recompensa o rei do Bahrain, apesar dele estar tomando como reféns as famílias dos seus súditos exilados, numa covarde tentativa de evitar que as pessoas do Bahrein, ora moradoras no Reino Unido, protestem publicamente (contra seu governo). Este presente é efetivamente uma luz verde, sinalizando que a rainha não tem problemas com o rei do Bahrein. ”

A frase final talvez seja um tanto exagerada.

Acho que a rainha agiu ingenuamente, provavelmente ignorando as malazartes do seu amigo, o rei do Bahrein. Claro que foi mal, deu uma falsa impressão ao mundo e aos seus súditos de que, para ela, tudo bem no que Hamad anda fazendo.

Os culpados são outros.

O governo da primeiro-ministro Teresa May tem constantemente vetado propostas dos congressistas adversas à ditadura do Bahrein.  Em razão do comportamento ,digamos, cabeludo do governo do rei Hamad, eles querem que a Inglaterra pare de vender armas para a polícia real usar contra o povo. Admite-se, inclusive, a realização previa de uma investigação independente das denúncias, que, aliás, não param de pipocar na imprensa.

Teresa prefere tomar seu chá e mudar de assunto. Para ela, o que é realmente importante são as vultosas importações feitas pelo Bahrein de produtos das empresas inglesas. Por isso mesmo, a primeiro-ministro considera Hamad um aliado altamente estratégico, que, longe de ser perturbado com críticas sobre desrespeitos aos direitos humanos, deve ser, isso sim, agradado.

Veja o que disse ao Middle East Eye Mark Curtis, analista de política estrangeira: “A família real é chave na infraestrutura da Inglaterra de apoio aos regimes do Golfo (o Bahrein é um deles) …estas relações pessoais constituem uma alternativa à diplomacia normal e ajudam de um modo suave os investimentos britânicos e o comércio, inclusive para exportação de armas. ”

Como diria Bill Clinton, “é a economia estúpido. ”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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