Netanyahu se aproxima do banco dos réus.

Na posse do novo presidente do Brasil vai ter um chefe de governo três vezes indiciado por corrupção.

Por mais que Bolsonaro admire o israelense Netanyahu, não deve estar muito satisfeito ao saber que a polícia de Israel recomendou novamente ao procurador-geral que processe o primeiro-ministro. Os investigadores apresentaram evidências sólidas de chantagens, fraudes, quebra de confiança e aceitação de presentes praticadas pelo líder do governo de Telaviv.

Elas demonstram que Netanyahu revelou decisões sigilosas para beneficiar Shaul Elovitch, controlador das ações da Bezeq, a maior empresa de telecomunicações do país – apesar da oposição dos assessores técnicos do Ministério da Comunicação, na ocasião gerido pelo primeiro-ministro

Em troca, ele recebeu nutrida e constante cobertura positiva dos seus atos no site de notícias Elovitch´s Walla, que é acessado frequentemente por elevado número de pessoas.

Durante sua gestão como ministro das , Netanyahu (2014-1017) propiciou concessões enormemente lucrativas ao amigo Shaoul. Uma delas foi a fusão da Bezeq com a Yes, empresa operadora de um satélite de televisão.

As generosas concessões de Netanyahu renderam a Elovitch algumas centenas de centenas de milhões de shekels. Ele não deixou de retribuir a gentileza com 32 milhões de dólares agraciados aos envolvidos nas transações (New York Times, 2 de dezembro).

Esta foi a terceira vez em que a polícia indiciou Netanyahu por corrupção, recomendando que fosse processado pelo procurador-geral do país.

Na primeira, o chefão do Likud foi acusado de aceitar presentes no valor de centenas de milhares de dólares como pagamento de favores políticos.

Negociar sua influência como primeiro-ministro em troca de uma cobertura favorável do jornal mais lido de Israel foi o segundo crime que os investigadores denunciaram ao procurador-geral, recomendando o processamento do indiciado.

Tudo indica que o procurador vai demorar a tomar sua decisão. Ele ainda sequer se pronunciou diante das duas primeiras recomendações.

Há ainda dúvidas sobre a decisão deste funcionário já que ele foi nomeado pelo próprio Netanyahu.

De qualquer forma, ter três indiciamentos criminais nas costas não é uma situação ds mais confortáveis para um primeiro-ministro.

Ele não deve temer censuras de Donald Trump.

Depois de defender o príncipe saudita Mohamed, mandante do horrendo assassinato de um jornalista opositor num país estrangeiro, The Donald não vai parar de agradar seu parça Bibi só por ele ser acusado de irrisórios crimes de corrupção e conexos.

Netanyahu não deu recibo, claro. Clamou contra os investigadores que desde o início estariam concentrados em descobrir fatos incriminatórios dele. Que, diz o primeiro-ministro, não existiam. As recomendações policiais não teriam sentido.

Mas a oposição vê as coisas de um modo muito diferente.

Tzipi Livni, líder da União Sionista, tuitou : “Chantagem. Netanyahu tem de sair, antes dele destruir as autoridades que aplicam as leis de Israel, a fim de salvar sua própria pele.”

Yair Lapid, líder do partido Yesh Avni: “Ele (Netanyahu) não tem mais mandato moral ou público para tomar decisões cruciais para o Estado de Israel.”

A congressista Tamar Zandberg, líder do partido esquerdista Meretz, chamou Netanyahu de “criminoso” que teria “ adotado um comportamento criminal e a linguagem dos subterrâneos. Será uma vitória da luz sobre a escuridão quando Bibi (apelido do líder direitista) for para casa.”

O povo de Israel não parece muito convencido da honestidade do seu primeiro-ministro. Segundo pesquisa do Instituto de Democracia de Israel (index 2018), exibida ao presidente Reuben Rivkin, 47% dos respondentes acham que os líderes do país são corruptos.   E, surpresa, para 54% Israel não é uma democracia real pois seu governo sofre a influência de um grupo de pessoas ricas (Xinhua News, 4 de dezembro).

Aqueles que vivem alardeando que o país é uma democracia exemplar, a única do Oriente Médio (esquecem do Líbano), deveriam moderar seu entusiasmo.

 

 

 

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