Governo de Israel impõe e Facebook censura palestinos.

A liberdade de informação, fundamental na civilização moderna, está sendo violada em um dos países que mais se orgulham de sua democracia; Israel.

O Intercep, de 30 de novembro último, conta como pressões do governo israelense levaram o Facebook- uma das principais mídias sociais- a cortar os posts de palestinos críticos do regime de Telaviv.

Para destacar a importância dessas mídias, o Intercept reproduz citação, publicada pelo The Independent (24-10-2017), de Mousa Rimawi, relator e diretor do Centro Palestino para o Desenvolvimento e Liberdade da Mídia: ”Os sites de mídia social são…uma eficiente janela para empoderar jornalistas e palestinos em geral para expressarem suas opiniões livremente.”

Infelizmente, esta janela está se fechando.

Explica Runawwi; “({Mas} a sistemática vigilância e observação das autoridades de ocupação israelenses (se tornaram) um plataforma aberta para perseguir e oprimir a informação de opiniões dos usuários”).

O Intercept explica como isso vem acontecendo.

Em 1995, convocados pela ministra da Justiça israelense, Ayelet Shaked , uma delegação do Facebook foi a Israel participar de uma reunião com autoridades israelenses. Esclareço que Shaked é das mais agressivas vozes da direita de Israel. Já chamou as crianças israelenses de “pequenas serpentes “ e aprovou o bombardeio de civis, quando feitos de escudos por radicais do outro lado, entre outras declarações um tanto quanto desumanas.

O Intercept afirma que os resultados previsíveis  desta reunião estão agora claros e bem documentados. O Facebook passou a realizar uma agressiva censura contra os ativistas palestinos, que protestam contra a ocupação ilegal da Cisjordânia (também chamada Margem Oeste), orientada e determinada pelas autoridades de Israel.

Esta denúncia é confirmada pela fonte mais insuspeita: a própria ministra da Justiça de Israel. De acordo com Shaked, Israel enviou ao Facebook 158 pedidos de supressão de posts palestinos para remover o que Israel considerou como  sendo “’conteúdo incitador” e a empresa atendeu  95% dos pedidos (al Jazeera, 28-9-2016).

Nem o papa Fransciso consegue um índice de obediência tão alto. E note que ele é considerado infalível…

Em março de 2017,o Facebook cancelou a página do Fatah, partido moderado do conciliador Mahumoud Abbas, que era seguido por milhões de pessoas porque continha uma velha foto de  Yasser Arafat segurando um rifle.

Arafat foi o grande líder da resistência palestina. Participou de várias reuniões de paz com autoridades de Israel, sob a égide dos EUA. E foi ele quem, oficialmente, reconheceu o Estado de Israel.

O The Independent (24-10-2017) publicou relatório do Centro Palestino de Informação narrando que pelo menos 10 das contas dos seus administradores, nas línguas arábica e inglesas- seguidas por mais de 2 milhões de pessoas- foram suspensas, sendo 7 delas permanentemente, depois das decisões arbitrárias tomadas na reunião do Facebook com a ministra Ayelet Shared.

O New York Times (7-12-2016) revela o modus operandi do controle do Facebook exercido por Israel: “As agências de segurança israelense monitoram o Facebook e enviam à empresa os posts que eles consideram “incitamento à revolta”, que responde, removendo a maioria deles.

Não dá para garantir que todos os posts rejeitados consistiam apenas em simples denúncias, protestos contra a ocupação, apelos para entrada no Hama ou no Fatah, coisas assim.

Certamente, alguns incitavam a atentados. Difícil que fossem a maioria.

Mas aposto que o mesmo rigor não pesa sobre os posts dos israelenses adeptos das políticas do governo.

Diz o al Jazeera :”Ataques incendiários postados em língua hebraica…atraíram muito menos atenção das autoridades israelenses e do Facebook. Um estudo descobriu que 122 mil usuários clamaram por ações brutais, usando palavras como ‘assassinar’, “matar” ou ”incendiar”. Os árabes foram os recipientes número 1 desses comentários de ódio. No entanto parece haver pequeno esforço para o Facebook censurar tais posts.”

Os fatos demonstram que o Facebook tem sido discriminatório, excessivo com os palestinos e absolutamente tolerante com os israelenses, aceitando odiosas mensagens, que estimulam violências, por vezes das mais cruéis.

São comuns no Facebook, segundo o Intercept.

O Times of Israel (30-12-2017) informou a existência de verdadeiras campanhas no Facebook, que pedem vingança contra árabes por atentado terroristas, aliás criticados pela maioria dos árabes israelenses.

Talyz Shilok Edry, que tem mais de mil seguidores postou: “Que orgasmo provoca a visão do bombardeio pelas forças israelenses de Defesa de prédios em Gaza, (atingindo) crianças e famílias, ao mesmo tempo!”

A página do Facebook do grupo LEAVA (mais de 37 mil seguidores) é dedicada a pregações contra relações românticas entre homens árabes e mulheres israelenses. Em junho, publicou a foto de um jovem diante de uma bandeira israelense, usando um camiseta com a seguinte frase: ”Todos os cidadãos de Ashidod estão como o LEVA, esperando que Gaza seja transformada numa fogueira.”

Acho que restrições à liberdade de informação dos palestinos estimulam o anti-semitismo do mesmo modo que atentados terroristas estimulam a islamofobia.

Produtos ambos da mesma raiz fundamentalista da qual se originam tanto o radicalismo israelense, quanto o islâmico.

E o Facebook? Será que tem consciência do mal que sua subserviência a Israel está causando?

 

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