EUA de Donald Trump: pobre não entra!

No século 19, potências europeias davam as cartas no império da China de modo indireto e muitas vezes, direto.

Na concessão de Shangai, sob administração inglesa, uma placa num parque proclamava: Proibida a entrada de cachorros e de chineses.

Esta frase causou escândalo e foi reproduzida em centenas de artigos durante muito tempo como símbolo do racismo e da dominação ingleses.

Dois séculos depois, decisão de Donald Trompa reproduz[LAE1]  as sombrias ideias sintetizadas na placa universalmente condenada. O que não surpreendeu ninguém, pode-se esperar tudo de The Donald, como do seu cheerlander, ora aboletado em Brasília.

Conforme os novos regulamentos, imigrantes legais que recebem auxílio estatal em saúde (Medicaid), alimentação (cupons) e moradia pública, terão negados seus pedidos de residência permanente (green cards) ou temporária (vistos) e de cidadania.

Ao perder seu direito a moradia temporária, imigrantes legais arriscam-se a serem deportados sumariamente.

Está claro que a nova malfeitoria do republicano visa ferir os imigrantes pobres, que dependem dos programas sociais do Estado americano para poderem sobreviver.

Estima-se que cera de 350 mil imigrantes legais estão no alvo de Washington pois acham-se nas condições enunciadas pelas novas elucubrações xenófobas e racistas de Donald Trump e seu viveiro de falcões empoleirados na Casa Branca.

Provavelmente nem todas serão fulminadas.

Acredita-se que muitos imigrantes, para não perderem seu direito de ficarem nos EUA, vão preferir passar fome, adoecer sem assistência médica e/ou mudar o sonho da casa do governo para a calçada.

Agora, imagine como tudo fica muito mais grave quando a pessoa tem família com filhos menores de idade, que são particularmente vulneráveis à falta de médicos, medicamentos, alimentação razoável e moradia.

E quando o imigrante pobre (ou algum membro de sua família), tem problemas de saúde, que exige recorrer a médicos e hospitais com frequência?

A resposta de Trump, o implacável, é simples: ou morre ou… já para fora dos EUA!

Há outro aspecto sinistro pouco divulgada pela mídia brasileira. Os migrante que requererem entrada nos EUA deverão provar rendimentos mais altos do que antes era exigido. Ou seja, pessoas muito pobres são barradas, ficarão diante de uma triste opção: ou tentam entrar clandestinamente, arriscando a vida nos desertos que cercam a fronteira México-EUA ou, voltam para casa, deixando o sonho americano se transformar no pesadelo de miséria e violência, do qual fugiram.

Pensando em amenizar este quadro catastrófico, o chefe do setor de imigração dos EUA, Ken Cuccinnelli,  tem o descaramento de afirmar que a nova regra beneficia os cidadãos americanos pobre.

Bom discípulo de The Donald, ele tenta puxar para seu chefe rendimentos eleitorais, alegando que a medida irá provocar a redução dos gastos dos serviços sociais americanos, livrando-os desses estrangeiros que os oneram, o que resultaria numa economia benéfica para os americanos sem recursos.

Em suma: seria mais uma louvável aplicação do princípio America, first … e que os demais que se virem!

O mesmo Cuccinelli contestou a alegação de que trecho do poema gravado no pedestal da Estátua da Liberdade seria contraditório com o tratamento dado aos imigrantes pobres.

Escrito, pela poetisa Emma Lazarus, o poema bradava:

 “Dai-me os seus fatigados, os seus pobres,
As suas massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade
O miserável refugo das suas costas apinhadas.
Mandai-me os sem abrigo, os arremessados pelas tempestades,
Pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado.”

Segundo o árdego representante do governo, o trecho referia-se apenas a imigrantes europeus, que, na época (últimas década do século 19) eram os únicos admitidos oficialmente para virem viver nos EUA.

Na verdade, embora ilegalmente, multidões de chineses vinham emigrando para o estado da Califórnia.´

O poema não esclarece que se referia aos imigrantes europeus, rejeitando os chineses. Duvido que vetasse a entrada das “massas encurraladas” de chineses pobres “ansiosas por respirar a liberdade.”

 A American Civil Liberties Union, a mais antiga organização de direitos humanos dos EUA, definiu com clareza a iniciativa do magnata-presidente : “Esta regra envia uma mensagem cruel de que o governo não acha que as pessoas pobres e pessoas com deficiências física sejam membros valiosos ds nossas comunidades.”

Quando lançou esta nova ofensiva contra imigrantes, The Donald devia ter em mente uma série de fatos.

O principal (e mais divulgado) é o  medo dos americanos de que esses indivíduos vem lhes roubar seus empregos. A iniciativa presidencial viria como ação em defesa dos interesses do seu  povo.

Argumento pífio pois, num país onde há um número mínimo de desempregados (3,7% em julho de 2019)), ninguém fica muito tempo sem conseguir uma colocação, pelo menos nas funções mais humildes e pior remuneradas.

Mas The Donal estava de olho em razões mais importantes. Para ele, é claro.

Vou citar apenas uma delas, que, aliás, a mídia brasileira deixou de lado.

O presidente quer agradar ao núcleo duro de seus seguidores, mix de racistas (muitos deles, ocultos) e xenófobos, que viram com maus olhos as críticas do feliz marido da maravilhosa Melanie aos dignos supremacistas brancos.

Acho que ele foi oportunista.

Já que é obrigado a ter muito cuidado nas suas críticas a movimentos negros, pois pega mal junto à opinião pública americana e mundial, o jeito é dar duro nos imigrantes latinos, para compensar suas declarações anti-racistas.

Os votos latinos que o republicano irá perder com esse comportamento foram computados como certos. Irrelevantes diante do grande número estimado de eleitores que vêm nos emigrantes rivais na disputa pelos empregos, gente baixa, com um comportamento incompatível com o american way of living.

Ele tem certa razão ao pensar que pode dar certo, em termos eleitorais, sua estratégia de expulsar ou reduzir o maior número possível de imigrantes centro-americanos, que são a maioria nos EUA.

Recente pesquisa mostra que 57% dos chamados latinos, nascidos ou não nos EUA, afirmam que votarão em algum candidato democrata.”

Enquanto isso, 27%, garantem que votarão em Trump. São, em maioria, pessoas bem sucedidas nos EUA, que não querem ser confundidos com essa “chusma” de miseráveis imigrantes mexicanos, hondurenhos, nicaraguenses… de qualquer das  nações centro-americanas.

Provavelmente a maioria jamais afirmará preferir que os pobres do seu país fiquem por lá e não venham para os EUA prejudicar a imagem daqueles que estão bem situados no país. Isso por  sentimento de culpa ou mesmo porque não ficaria bem renegarem seus compatriotas, junto aos americanos conscientres.

Em 15 de outubro próximo, o malsinado diktat do presidente Trump vai entrar em vigorar.

Não será bem-vindo.

Não foi para criar uma nação xenófoba, racista e elitista que os fundadores dos EUA fizeram a constituição do país.

Felizmente, ainda há muita gente nos EUA que deseja preservar o legado dos seus maiores.

Espera-se que muitos deles processem o governo para revogar as novas regras que Donald Trump pretende impor, de olho na sua reeleição.


 [LAE1]brar

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