Aviões sauditas matam civis e civis que vieram socorrer os feridos.

Deve-se atribuir à CIA a criação dessa nova tática: o double-tap.

Foi aplicada diversas vezes nos ataques de drones no Paquistão.

Primeiro, os drones matavam suspeitos de terrorismo. Depois que chegavam socorristas para atender os eventuais feridos, novos drones entravam em ação liquidando essa segunda turma.

A justificação da honorabile societá americana era: quem socorre suspeitos, suspeito é. Fogo nele!

Os primeiro ataques com double-tap foram noticiados pelo Sunday Times. 11 foram realizados entre 2009 e 2011 na região tribal do Vaziristão, segundo estudo do “Birô de Jornalismo Investigativo”, publicado em fevereiro de 2012.

Novas denúncias do “Birô” se seguiram: cinco ataques double-tap , em meados de 2012, matando 53 pessoas e ferindo 57.

A BBC, a CNN e a AFP também relataram ataques de drones a socorristas em cinco ocasiões, entre 24 de maio e 23 de junho, de 2012.

Por fim, veio a denúncia da ONG de direitos humanos Repriever: em 6 de julho de 2012, drones mataram 8 civis que socorriam   vítimas desses engenhos mortíferos.

Durante a guerra do Iêmen, os sauditas mostraram terem aprendido a lição da CIA.

Diz a Reuters, em 27 de fevereiro de 2018: aviões da coligação liderada pela Arábia Saudita destruíram uma casa em Sanaa, capital do país, suspeita de abrigar os inimigos houthis. E ficaram à espreita.

No que chegaram paramédicos para tentarem tirar as vítimas dos escombros da moradia bombardeada, os aviões sauditas voltaram. E lançaram dois ataques contra os que tentavam socorrer alguns feridos.

Todas estas ações foram fotografadas por profissionais da própria Reuters. E testemunhadas por médicos que estavam nas proximidades.

Este e outros fatos comprovam que o governo de Riad obstina-se em matar civis intencionalmente.

A Al Jazeera de 17 de dezembro de 3017 informou que, voltando de um casamento, 8 mulheres e duas crianças iemenitas foram assassinadas por um ataque de aviões sauditas.

Em outubro de 2017, o bombardeio de um funeral no Iêmen pela aviação do reino causou horror. 140 pessoas mortas, quando choravam o morto. A ONU, a União Europeia, a Alemanha, a França, até os EUA, lançaram duras condenações. Barak Obama, presidente na época, chegou a suspender o envio de novos armamentos à Arábia Saudita.

Cinco meses depois, um velório, a 40 quilômetros, de Sanaa, foi alvo dos aviões sauditas. Desta vez, mataram menos gente, “apenas” 9 mulheres e uma criança, segundo dados oficiais, embora moradores do local falem em um número muito maior de mortos e feridos (Middle East Eye, 16 de fevereiro). E os aviões do rei Salman despejaram mais bombas, atingindo um número indeterminado de profissionais de saúde, que vieram socorrer as vítimas do primeiro bombardeio.

Diz Christof Heinz, relator especial da ONU sobre execuções extra-judiciais: “Se socorristas civis estão sendo, de fato, atingidos intencionalmente, então não há dúvidas a respeito da lei. Esses ataques são crimes de guerra.”

E agora? O que fará o Conselho de Segurança da ONU?

Aparentemente é mais importante discutir se o Irã é ou não responsável por um míssil lançado pelos iemenitas houthis contra Riad. Que, aliás, não matou ninguém, nem destruiu nada.

Enquanto isso, não se toca na responsabilidade da Arábia Saudita na destruição da infraestrutura dos serviços públicos do Iêmen e da produção e distribuição de alimentos nas áreas controladas pelos houthis (The Guardian, 12 de dezembro de 2017), causando a maior crise humanitária do nosso tempo.

 

 

 

 

 

 

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